terça-feira, 31 de março de 2026

Vida pesada

Não  é  que a vida seja pesada
Mas não  é  leve simplesmente 
A dureza  ajuda a suportar
Um corpo e  um coração  doente.

Vêm  os dias, vão  as horas
A solidão  é  companhia
O trabalho engrandece
De manhã  à  noite enquanto é dia.

Perco-me, encontro- me na solidão 
Ao ouvir o chilrear  do passarinho
No ladrar de um cão 
Ou em pensamentos em desalinho.

Horas mortas, horas compridas 
Cheias de desassossego 
Preenchidas de trabalho
Cansaço  e muito medo.

Pesa me a vida
A concunda  e  a tortura
Matam me as dores
Salvam me as flores .


segunda-feira, 30 de março de 2026

Continuas Tu

" Continuas selvagem nas tuas verdades"

Continuo a ser eu, mesmo com revezes e entradas em contra mão. 
Continuo a ser eu, mesmo quando o sol não  nasce e as estrelas não  brilham.
Continuo a ser eu, ainda que a palidez diga que o caminho é  curto, que a viagem é  lenta e a dor aumenta.

Continuo  a ser eu, cabelo branco, mente jovem e sonhos que me fogem.

Serei assim até  ao fim
Numa busca constante
E ao que resta de mim direi
- lutaste bastante....

Segui tantas vezes sem pensar
Vivi a maior parte do tempo a lutar
Cansei me, não  soube apreciar
Tudo o que a vida tinha para me dar.

quinta-feira, 26 de março de 2026

Gosto


Não  me agrada a pequenez
O vazio do pensamento
A cegueira que tudo vê 
E as palavras ocas obesas de parvalheira

Gosto de gente que é  gente
Gente que sente
Que coloca os pés  cansados no chão 
Que grita e chora
Que se zanga, que ignora
Mas que sabe ser gente
Sabe ser simples
Mesmo quando conhece a sua razão, a sua imensidão. 

Gosto de gente de mãos  vazias
Cheias de tudo para dar

Gente que podem mesmo no momento de odiar, mas depois esquece.
Com o orgulho vestido
Sente e sabe abraçar 
Chora e faz chorar
Gente que encanta
Tantas vezes pinta a manta.

Numa procura eterna de encanto
Encontra o pecado
Anda com ele lado a lado
Encontra riso e saudade
Sofrimento e verdade.

Gosto de gente inteira
Sábia, verdadeira
Dona de tudo na sua singela humildade
Dona de pecados , mas que vive bem com a sua verdade.

Na imensidão  do ser
Aprende a viver
Num mundo que é preciso ser mestre para sobreviver.

Porque sim, porque gosto de gente que é gente, gente que para si não  mente.




domingo, 22 de março de 2026

Imortalidade

A sede da imortalidade passa por nós 
Vemos velhos  a correr
Gente sem força 
Mas com vontade de viver.

É a obra para fazer
O projecto  para terminar
É a falta de tempo
Até  falta tempo para amar.

Corre, corre porque há  muito para fazer
Percebo que aos 80 ainda se pensa vencer.

Não  se pensa em arrumar gavetas
Não  se pensa em a vida organizar
Não  se pensa criar memórias 
Não  se pensa que a vida está  a findar.

Quero apenas deixar retratos
Palavras escritas nas horas de solidão 
Não  consigo fazer melhor
Apenas  deixar meu coração. 

Não  me preocupo viver muito tempo
Essa foi uma guerra que não  venci
Queria ter tempo neste tempo
Viver o que não  vivi.

Sonhei diferente a minha própria  imortalidade
Era ser dona de mim
Ser feliz de verdade.

Deixar memórias  vividas
Partilhadas, felizes e aconchegantes 
Mas nem sempre consegui
Sinto que apenas foram instantes.

Guardai-me, não  como louca
Mas como sedenta de viver
A tal insatisfeita...
Que tão  mais queria ter.

Lede-me nas entrelinhas
No meio delas digo tanto
Ao escreve- las são  só  minhas
Com elas partilho o meu pranto.

Não  sou imortal
Não  tenho essa pertençao 
Tenho plena consciência 
Que deixo muito da minha solidão. 





Cansada

Levam-te as horas da noite, vais e o caminho já é curto. Os dias já  não  te chegam para o tanto que te falta fazer. Levam-te a vida, regressa a certeza, que o muito poderá  ser tão  pouco. Segues os sonhos utópicos, essa é  a realidade. Levaram-te a vida, caminhas -te no cume, a luta foi feroz. Resta- te pouco, apenas lembranças  das lutas, das horas a correr, dos sonhos a passar e hoje?
Hoje levam- te os minutos, as forças  já  foram, os passos são  lentos e a garra esmorece. 
És  a sombra da árvore  robusta, enrugada  e estraçalhada, em mil pedaços  muída. 
Morres ao ir, morres ao ficar. 
Ai a força....

Borboletas

Se silenciosa e misteriosa a minha mão  toca se na tua...
Ardiam poemas na Alma...
Sentirias  a chama das palavras ardentes no colo do teu pensamento...
Seriam silêncios mudos e frases feitas na paixão  dos minutos.
A primavera nascia nas sílabas 
Os abraços  seriam aconchego para o delírio 

Se subtil a minha boca te rouba se um beijo...
As borboletas seriam azuis e voavam num bolero de Ravel..
Sentias o fogo que me aquece...

Cresceram sentimentos lascivos nos olhares demorados...
E nos corpos a união de um desejo mimado

sábado, 21 de março de 2026

É possível

É possivel perder me em ti
Sentir-te quando não  estás 
Saborear te nas palavras
Sim é possivel
Sentir um arrepio e chegar à  lua quando me provocas
Sentir te...dar te...este ter-te sem te ter num tempo que não  é nosso
Num sonho improvável 
Nesta loucura do desejo
Sim, é possivel que o tempo não  pare
Mas dentro desse tempo a correr
Quero-te
Sim, é possível  sonhar -te hoje

sexta-feira, 20 de março de 2026

Primavera

Dizem que a primavera chegou, com ela era suposto chegar a alegria, a vontade de viver e de recomeçar  coisas novas.
Está  frio, um dia triste e ainda não  é  hoje que o humor  muda.
Cansada, do tempo, dos afazeres, das responsabilidades....
Cansada, mas com a esperança  em novos dias...

quinta-feira, 19 de março de 2026

Dia do pai

19 de Março dia de São José 
O Céu  está  em festa o meu pai era alegria 
Como tal no dia de hoje
Há  festa todo dia.

No Céu, sei que olha por nós 
Sempre foi muito presente
Cuida de cada um 
Mesmo estando ausente.

O coração  fala mais alto
Nestes dias sempre emotivos
Do meu pai tenho saudades
Era o meu melhor amigo.

Em homenagem a ele
Contínuo  a versejar
Sai do coração 
Sei que é  ele a apoiar.

Recordo a sua harmónica 
Sempre fiel e afinada 
Com seu sopro certeiro 
Junto dele a malta estava sempre animada.

E as suas anedotas?
Não  sei onde as aprendia
Mas com qualquer situação  da vida
Ele transformava em alegria. 

Pai Zé  Pena, Avó  sempre presente e orgulhoso
Deixou um legado de alegria
Procuramos honra- lo em todas as horas
Será  sempre companheiro no dia a dia.

A ausência  não  é  esquecimento
Continua vivo nos seus movimentos 
Lembraremos sempre dele
É  dono dos nossos pensamentos.

Fica a graça, 
a anedota picante
As saudades infinitas
Música a cada instante. 

Era a sua essência 
Que o tornava especial
Gostava de vir à  feira
Dizia ser o seu dia afinal.

São  José, o pai de jesus
José  Pena dos seus dois filhos 
Apenas eu e meu irmão 
Que a ele criámos  atilhos.

A despedida aconteceu num 23 de maio
Faz 4 anos este ano
Parece que foi ontem
Mas será  lembrado todos os dias do ano.

Foi sempre o meu pilar
A minha raiz mais segura
Mesmo havendo tempestades
Sabia que estava segura.

Hoje sinto na pomba
A leveza  do seu ser
Contínuo  a acreditar
Que ele me continua a ver.







quarta-feira, 18 de março de 2026

Folha em branco

Serei apenas uma folha em branco de uma história que não  escrevi...
Serei apenas simples e singela pena no zumbir do vento...
Serei apenas desejo e carícia do pensamento...
Serei apenas eu comigo para ti....

terça-feira, 17 de março de 2026

Cor Rubra

Esta vontade de escrever os parágrafos mais belos de um livro de cor rubra acompanha me, mói-me, tenta-me, mas fico me em páginas  brancas de papel reciclando escrito a tinta permanente.
Sabes aquela frase bonita?
Fica só  para mim.
Aquele pergaminho, rasguei-o.
Aquele beijo que seria a porta de entrada de uma historia bonita, guardei-o.
Fechei com trancas as letras, guardei num baú  chinês  as palavras que seriam testemunhas, mas decidi, decidi deixar a cor rubra e singir- me ao nude horrendo.
Decidi....
A vida é  feita de decisões, com elas desenrolas as palavras, dás  cor ao arco-iris. 
A tinta permanente seca, o papel reciclado passou de moda, embora eu aprecie o amarrotado rústico.
Um dia....
Um dia serei a coragem...
Depois, depois o rubro tem mais cor...

domingo, 15 de março de 2026

Sem força

Hoje estou sem força, permiti me descansar, tentar dormir, fechar os olhos e não  existir.
É domingo, dia de desanuviar, mas um sentimento doloroso estúpido não  me dá  forças  para continuar.
Não  quero ser, não  quero pensar, não  quero abrir os olhos, não  quero jardinar.
Preciso, há  muito que não  tinha este sentimento de impotência, preciso parar, pensar na minha existência. 
Serei descartável, substituível talvez, mas nunca por alguém superior, mais oportunista talvez.
As putas das dúvidas, que em horas ímpares me controlam, as traiçoeiras  inviezadas 
Que em dias maus me assolam.

Sou mais eu, mas estou desgastada, estou triste, cansada.

Sou teimosa, independente e infeliz, mas no regresso dou a volta, disso fala a vida que fiz.

Hoje só  quero fechar os olhos, nem as flores vonsigo cuidar, nem o botão  da camélia  me consegue alegrar.

Entrego me, vou, sou solidão, amanhã  o dia amanhece e com ele nova pressão. 

Agora caiem duas lágrimas 
Tentam limpar a alma
Amanhã  tudo melhora
Certamente estarei mais calma.

sábado, 14 de março de 2026

Um dia vou

Hoje não  me apetece escrever, tão  pouco viver.
Hoje é o dia que se segue  a um dia estranho, se por um lado compensador gratificante devido ao trabalho, acaba por culminar num dia de sentimentos mistos, revolta, tristeza, angústia, mas sobretudo surpresa. A vida é assim. A vida prega nos partidas, mas nem sempre sabemos como encaixar as novidades trazidas com as vidas vividas. 
Como se absorve?
Como reagir?
Que atitude tomar?
Um balançar  de sentimentos numa vida cansada, numa vida entregue por inteiro, restando pouco para mim.

Para mim....
Eu que devia  ser a primeira pessoa da minha propria existência, que devia saber cuidar de mim, que devia dar um pontapé  e seguir....

Eu....
Eu não  sei fazer isso
Eu não  aprendi a priorizar me 
Eu não  aprendi a não  me preocupar
Eu não  aprendi a não  cumprir 

Sou....
Sou réstia  de uma vida
Sou dor constante
Sou empregada
Sou muito de coisa nenhuma

E perco me...
Perco-me  na vontade de partir
Perco me na ausência  de esperança 
Perco me nas noite longas
Perco me no trabalho

E um dia vou....
Vou e terei paz finalmente
Vou e deixarei saudades em alguém 
Vou e deixarei memórias  escritas
Vou e será  a vontade realizada de alguém 
Vou e lá  longe não  sei se voltarei a ver o que ficou
Vou e na imensidão  do universo os astros estão  alinhados e encontro a paz
Vou e não  volto
Vou, porque a vida é assim
Vou porque não  somos imortais
Vou porque a morte anda comigo.......

sexta-feira, 13 de março de 2026

Sexta -feira

A semana chega ao fim, 
Tudo parece renovado,
Os dias têm  sido cansativos, 
Mas com o sol a brilhar tudo fica mais animado.

Como as plantas aromáticas 
Somos tempero agridoce 
O palato nem sempre é  apurado
Nem sempre sabe bem o arroz doce.

Chega o fim de semana
Os dias são  de animação 
A casa está  sempre cheia
Dá  saúde  e faz bem ao coração. 

São  os tachos e as panelas 
A fugueira e o braseal
As flores e a jardinagem 
Alegria sem igual.

Os passarinhos anunciam a primavera
Com seu alegre chilrear 
As meruges nos ribeiros
E o cuco a cantar.

As túlipas  já  estão  floridas
As camélias  a brotar
Anunciam tempos novos
Só  temos que acreditar.


 

terça-feira, 10 de março de 2026

As cores do meu dia

Perco me no amarelo e no lilás 
Embrulho o pensamento no beringela 
Rasgo o coração  com tintas velhas
Rabiscando uma aguarela.

Sonho me em verde esmeralda
Percorro caminhos em cores castanhas
Envolvo a alma na timidez  do cinza
Rasgo o encarnado das entranhas.

Vivo os dias a preto e branco
Seguro os ponteiros do relógio  a cor de rosa
Ouço  músicas  que trazem o arco íris 
Envolvo trapinhos, restos de linhas em prosa.

Sou cores do meu dia
De muitos nublado
Sou letras e reticências 
Em noite escura ou céu  estrelado.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Doi

Assolam me as dores, as fisicas e as da Alma. Existo sem ser, vivo sem partilha. Apenas Dói. Dói  e nem o sol que esptreita é balsamo, nem o riso que chega é  alimento.
A loucura presente de um ser enesistente  é  real...e Dói, a angústia  vinda das incertezas, a vontade de querer e não  poder mata, corroi as entranhas ja doentes, correi uma vida que podia ser a minha, mas doi, doi e não  preciso dizer, não  preciso expressar, não  preciso partilhar. A dor é só  minha, mata me devagarinho com veneno espalhado nas veias  que pelo corpose espalha.
Dói....

domingo, 8 de março de 2026

8 de Marco 2026

Dizem que é o dia da Mulher, aquele em que infelizmente muitas ainda usam como desculpa para fazer algo fora da caixa.  Não  concordo nada com a forma inviezada em que este dia se transformou. Começou por ser um dia de luta, de liberdade, mostrar que merecemos respeito, que a igualdade é um direito, que podemos e devemos ser livres todos os dias. Infelizmente  a forma de festejo camuflado  ainda mostra que muito está mal, que ainda há  mulheres que apenas neste dia ousam ter coragem, apenas neste dia sente e se lembram que a vida é  delas. 
De facto não  é, de facto ainda há muita coisa mal nesta sociedade hipócrita, nesta sociedade que tem sempre o dedo apontado para a Mulher. Infelizmente a maior critica vem das próprias  mulheres, das tristes, das aziadas e até  das que realmente não  ousam desafiar o homem, o parceiro e se tornam frustradas. A sociedade atual esqueceu que a luta começou  cedo com Mulheres de garra, de valor e lutavam por algo que valia a pena, a luta não  se perdia na festa efémera  ou no postal de frazes feitas" feliz dia da Mulher". Mas que raio, dio eu, que sabemos nós  destes dias?  Acredito que 60% das mulheres que ousam sair para a farra este dia não  sabem a singular importância, mas nem por isso menos valiosa da causa. Tenho pena. Tenho pena que precisemos deste dia para ir.....
Tenho pena que num mundo em constante mudança  ainda seja preciso lembrar a importância  do que realmente importa. Tenho pena que as Mulheres que lutaram em fábricas pelos seu direitos pouco deixaram da mensagem, ou melhor, neste momento pouca Mulheres percebem a mensagem.
Por todas as que lutaram e lutam,  as sofreram e sofrem  por este mundo fora eu não  faço  festa, eu não  comemoro o dia de forma festiva.  
Às  Mãe  da guerra, as crianças mutiladas, as operárias  fabris, às  crianças que trabalham nas fábricas  da China, a todas que sofrem de violência doméstica, às  que por culpa das suas culturas são  obrigadas a vidas horrendas, a todas que de uma forma ou de outra esperam mais de nós.  Esperam denúncias  ativas, esperam que sejamos a voz delas, não  esperam que festejemos.

( e como diz o ditado" quem está  no convento é que sabe o que vai la dentro" Acredito que algo anda muito mal nesta sociedade de bem parecer. 

Se tiverem  coragem, sejam felizes.
Esta é a minha mensagem de 8 de Março  de 2026

Maria Clara Pena.

sábado, 7 de março de 2026

Dor

Trago na Alma a raiva que não  sei controlar
A angústia que me mata
A dor que me provaca
O amor que não  sei amar.
Trago mágoas  que inventei
Virgens  que não  fiz
Sonhos que não  sonhei
Tornei me num ser infeliz.
Cruzei montanhas
Fiz trilhos e transversais
Guardei saudades nas entranhas
Sorri gritando em vendavais.
Sou mestre em diagonais
Perita em reticências
Sábia  em pontos finais
Marca registada em ausências. 
Trago a Alma dorida
Sem cura, isso é  verdade
Neste mundo ando perdida
Sofro, porque sozinha já  não  sei ser saudade

sexta-feira, 6 de março de 2026

Mimosas

O aroma a campo chega devagarinho
É o perfume silvestre da mimosa
O cantar dos passarinhos anunciam
A época mais formosa.
Cheira a amarelo
A cor do acordar
A orvalhada vem dizer
Bom dia Portugal.
Somos o campo
As vilas e cidades
Somos somente vontades e vaidades.
Somos vaidosos
Gostamos do que é nosso
Ar puro e natuzeza
O que há  de mais valioso.
Chegaram as mimosas
Embelezam as colinas e montanhas
Dão  cor ao Interior
Sai nos vontade de viver das entranhas.


quinta-feira, 5 de março de 2026

Pergaminhos da vida

Sabes, há  coisas que não  contas a ninguém, são  o teu bem mais precioso, são  as tuas memórias  mais ricas. Tens a sensação  que se as partilhas deixam de ser tuas, passam a ser de quem as conhece. São  coisas tão  simples, mas julgas que ao partilhar elas voam, saiem do teu control e o sublime perde se num qualquer sopro de vento.
A aragem da madrugada guarda-as em ti com relíquias cheias de requinte e brilho. São  as tuas coisas. São  os teus pensamentos. São  o teu eu mais secreto. Tudo tão  teu, aquilo que não  mostras na gargalhada espontânea, na lágrima sofrida ou no copo de vinho tinto partilhado.
 São  as tuas coisas, as que comandam o teu cerebro, as que te fazem sorrir em silêncios, ou verter lágrimas  ao som de uma música. 
São  muito para ti, são  mais que o efémero, pois ficam e não  te abandonam, são  a tua vida paralela, a que não  partilhas e te faz perceber  que nesta vida és  uma incompreendida, um ser alienado do comum dos mortais. És  humana, mais que imperfeita, mas que te faz sentir viva.

quarta-feira, 4 de março de 2026

Chegou Março

Ja é Março...
Emnbreve chega a primavera, estamos ávidos  de sol, tempo bom e muita paz.
O inverno foi tramado, trouxe  tudo de mau, vidas destruidas, prejuizos e muita revolta. Precisamos voltar a acreditar, deixar os jardins florir e os passaros chilrear. 
Eu preciso....preciso muito sentir primavera, um novo recomeço, um voltar a acreditar que o fim não  está  próximo.
Hoje o sol brilha, os calos cantam e os passarinhos dizem alegremente " olá ". 

Olá  vida, dá me força, deixa me sentir viva e mostra me que ainda há  esperança nesta vida rude, mas bela.

terça-feira, 3 de março de 2026

Parti

Eu atravessei desertos impossíveis,
 Onde a força  me acompanhava, 
Onde o imprevisto era batalha
 A ausência  existência, bela ramada.

As batalhas eram só  minhas 
numa luta constante, 
numa travessia indomável 
a cada metro, a cada instante.
O vento levava sombras e promessas
Partiam com a dor do caminho
Fui chamada de imprudente
 Por somente abandonar o ninho.
Deixei o medo
Escutei o coração 
Aprendi a ser eu
Em momentos de solidão. 
Quando no palco cair o pano
Quero que vejam a verdade
A essência  de mim mesma
Ainda que a morte me traga saudade.
Assumo de ombros erguidos
Esta estrada tão  dolorosa
Vivi sozinha, acompanhada da luta
E sem palmas me sinto saudosa.
Se perguntarem se valeu cada cicatriz 
Apenas respondo:
Fui dona do que fiz.
Caminhei
Sorri, sofri
Fui eu
Desde a hora em que parti.

domingo, 1 de março de 2026

Olhando para trás

Nas noites mais lentas, onde a vida passa e a dor se mantém, espreito a janela do tempo.
Sigo uma linha e desfiando algodão  encontro me num emaranhado de mim mesma.
Recondo temporais e monotonias, recordo risos e lágrimas.  Lembro me tão  bem dos olhos vendados, queria enchergar e a cegueira turvava me a lucidez. Eu só  queria ver. Ser luz de mim própria, do caminho que sonhava, da vida que eu queria.
Era dificil não  ser equilíbrio, não  ter um foral e na minha inocência  era impossivel sentir o correto.
Na escuridão  das noites da vida, perdi de mim o muito que podia ser tudo.
Hoje olhando pela janela da vida percebo  muita coisa. Os semafros nem sempre acenderam  na hora certa e eu perdi me de mim mesma.

É Primavera

Sinto no cheiro das rosas a vida O palpitar do coração  Sinto a imensidão  vivida No canto dos passarinhos o mundo na mão.  Sabe a mel o agr...