quinta-feira, 26 de março de 2026

Gosto


Não  me agrada a pequenez
O vazio do pensamento
A cegueira que tudo vê 
E as palavras ocas obesas de parvalheira

Gosto de gente que é  gente
Gente que sente
Que coloca os pés  cansados no chão 
Que grita e chora
Que se zanga, que ignora
Mas que sabe ser gente
Sabe ser simples
Mesmo quando conhece a sua razão, a sua imensidão. 

Gosto de gente de mãos  vazias
Cheias de tudo para dar

Gente que podem mesmo no momento de odiar, mas depois esquece.
Com o orgulho vestido
Sente e sabe abraçar 
Chora e faz chorar
Gente que encanta
Tantas vezes pinta a manta.

Numa procura eterna de encanto
Encontra o pecado
Anda com ele lado a lado
Encontra riso e saudade
Sofrimento e verdade.

Gosto de gente inteira
Sábia, verdadeira
Dona de tudo na sua singela humildade
Dona de pecados , mas que vive bem com a sua verdade.

Na imensidão  do ser
Aprende a viver
Num mundo que é preciso ser mestre para sobreviver.

Porque sim, porque gosto de gente que é gente, gente que para si não  mente.




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