Esperando
Edperando e nada muda. Ja passaste o prazo de validade, és doente, o marido ja verbalizou isso. Os filhos têm a vida deles, sinto que quando mais ausente estiver melhor. Ficam envergonhados. Nao sabem abracar e beijar a mãe, aquela que perdeu noites a fio, aquela que esteve sempre presente no médico, na festa da escola, no desporto, na música, no dentista e onde mais fosse preciso. Doi me a vergonha.
"Não podes escrever, opinar, tao pouco existir, nós somos os donos da verdade. Agora nós é que sabemos"
Não sabem nada, mas respeito e limitarei me a nao incomodar, a matar o meu orgulho, a vontade de o mostrar, a ser eu.
Doi me tanto!
Não publicas, não deves....
Mas eu devo alguma coisa a alguém e nao sei?
Eu tenho que me limitar porquê? Para me serem companheiro, fieis amigos ou para viver a paz podre de uma louca como eu.
" Não escreves no jornal, tenho clientes" pergunto; governam me alguém que me poe xite governa me, ajuda me a pagar as cntas.
Que dizer de vós, das vossas incorrecções, das vossas faltas de garra mal direcionada.
Sim sou louca, choro. Tenho um defeito, só vivi para vós a vida toda, hoje não tenho vida nem saúde. O fim aproxima se e pretendo alguns desejos realizados. Ja falei com a funeraria para saber preços, a cremação para alem de ser o que pretendo fica mais barato. Não quero flores e não quero missas depois. Quero que vivam e seja felizes, que guardem alguma coisa positiva de mim, porque até hoje não encontam muitas.
Não é um texto de despedida, espero ter tempo para deixar tudo em ordem e arrumar 'gavetas", mas não deve haver tabus em se falar nestas coisas.
O marido fará do rancho vida, assim tem sido, nas noites e noites de espera e solidão, fará o que mais entender, mas assim que resolva os assuntos dos terrenos, resolvo o que falta.
Doente, cansada, triste, dediludida.
Maria clara
Fevereiro 2025
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