quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Vejo te assim

Não me tentes entender
Não sou um ser incrível
Mas certamente serei
 Muito mais que o visivel.
Serei tudo e nada
Num mundo de ilusão 
Dou tudo de mim
A quem me der o coração. 
Sou silvestre, ou roseira brava
Tempestade e temporal
Sou saudade e nostalgia
Quem me conhece não leva a mal.
Sou sede, por do sol
Noite escura, amanhecer
Sou silencio e poesia
Sou verbo envolver.
 Sou ganga e traje fino
Cor rubra ou melancolia
Sou varias personagens 
Em noite escura e em pleno dia.
Sou eu apenas
Um ser mais que imperfeito
Num trajeto ingreme
Com coração dentro do peito.
Um ser, que muito ama
Que dá muito de si
Que a todos tenta entender
Mas que se esconde, mesmo quando ri.

....
Escrevi na 1° pessoa
Mas acho que és tu.
Bijus

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

...dor

No fim do dia, no inicio da noite a garra adormece e a realidade aparece.  
Sou simples,
  singela, 
qual toque de aguarela. 
Apenas fragil, 
fraca, 
dorida e adormecida.
Sou tanto,
 num tão  pouco que me encontro, 
na morte simples  da garra que já não  tenho, neste corpo que estranho.
As fragilidades cortantes que me limitam,
 a certeza que o término está  a chegar, 
realidades de instantes, 
um sonho que foi,
 verbo adiar.
E volto eu ao meu mundo real
Ao que fui afinal.
Insatisfeita já  se sabe
Temporal, com toda a certeza.
Lágrima cortante, 
tantas vezes tristeza.
Fui riso fácil com choro no peito
Madrugada dorida, 
tantas vezes perdida 
Cabelos ao vento, 
vida difícil, 
difícil  temperamento.
Olho ao longe, 
e a dor afinca
A marca ficou,
 nunca me abandonou.
Já  não  tenho lágrimas 
não  sei chorar
Sei que não  é  fácil 
Ter que me abandonar. 
As entranhas estão  doentes
Não  há  osso que esteja saudável 
Percebi finalmente 
De nada vale ser amável. 
A revolta é aconchego
Serve de alento, conforto,
Abandono o medo
Neste corpo morto

Eterno

 


Vivemos com pouca coisa

Um instante cheio de intensidade

Um pouco do muito

E de repente transformamos a nossa vida

Unidos somos a junção

Carne e Alma

Não há medos

Perfeito

Eterno

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Camélias brancas

Camélia brancas

O pêndulo do relógio de parede ouve se ao longe ao cair do crepúsculo.
Chegaste, trazias na mão um ramo de camélias brancas, símbolo da pureza.
O teu olhar puro e meigo mostrava o amor que sentias .
O brilho trazia intensidade na carícia das flores.
E era tu o sonho. 
Sabes, o brilho do teu encanto, da tua presença já me dava tanto!!
...e o pêndulo sonoriza o momento.
Envolves me nos braços, subtilmente coloco as flores numa jarra de cristal antigo.
Não te peço nada, apenas camélias brancas nos Fevereiros da vida.
O teu abraço que envolve a lucidez de quem quer sentir.
As camélias são as minhas flores preferidas.
Com elas vêm as manhãs rubras.
As tardes de cores quentes, num silêncio só quebrado pelo pêndulo do velho relógio.

Não chores

Não  fiques triste se a lágrima rola rosto a baixo.
É  humano sentir saudade, viver é suportar a dor, viver é solidão. 
Não  esperes nada, nem um toque, uma mensagem que nunca ha- de chegar.
Quando o sol voltar espreita a luz, aprecia o nascer e o por luminoso, as cores que acalentam.
Uma garça  que passa observa te, é Deus que te aconchega.
Lembra te, às  vezes até  Deus se sente só  e vem ver te. 
As andorinhas passam em bando, migram para lugar nenhum, ficam no aconchego do beiral  e tu choras.
As águas  do riacho correm, fazem melodias ao bater na rocha, e a lágrima cai...
Tudo ao redor quaduna e tu és  humano.
Choras...
Gritas de solidão, na alma que fica em ti e tu partes riacho a baixo com a lágrima que partiu.
O toque da torre da Igreja ressoa ao longe, a solidão  que sente é companhia de quem liberta a solidão  nas lágrimas  que seguem.
Não  chores...

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Desistes

Há dias que desistes
Desiste de ti e de tudo
Desistes do que te faz mal e não te leva a lado nenhum
Sais do mundo real, aquele que fere, marca e faz doer 
Desistes de querer continuar a resolver, a justificar, a te preocupar
Segues, ergues a cabeça e abstrais te não interessa, do que magoa
Segues, não olhas para trás, não vês nem queres ver.
O mundo não é mau, as pessoas sim, a malvadez instalou se nas entradas dos seres maleficos, aziados e mal formados.
..e tu desistes...
Desistes de todo e qualquer contacto com o que não te acrescenta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Vá, mas não se perca de si
Não mude a sua essência, para agradar a outras pessoas.
Vá, mas viva, capte a cor, o cheiro e o sabor.
Siga com os pés no chão, com a verdade na Alma e a vontade de partilhar.
Vá, seja luz, presença e riso. 
Siga em frente, sem deixar de olhar para trás. 
Seja sempre o seu ' eu' mais verdadeiro e deixe os silêncios partilhar momentos consigo, os sons serem as bandas sonoras da sua existência.
Siga mesmo que não parta, deixe de si mesmo indo embora.

Maria Clara Pena 

wwwnosilenciodanoite.blogspot.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Um Anjo...

 


Como um ser que se pressupõe habitar no céu...

de grande bondade, pureza e simplicidade !

Um carácter que se distingue entre os outros seres da sua espécie, a sua beleza é delicada...

O seu brilho é imenso...há tantos por aí...a maioria tem asas!

Não sei porquê, andam sempre dois a dois, aos pares...e de mão dada. 


Outros não, deixam as asas em casa, 

ninguém as vê, não é preciso...não faz falta ! 

O amor sempre os descobre, 

ou os imagina...também os transforma...

E tudo aquilo que não tem asas passa a ter, 

Se não voa passa a voar...


Hoje vesti me de branco, 

queria muito parecer um Anjo...

queria voar...tive pena das minhas asas....


Deixei-as na Lua e não as posso ir buscar...

Levita

 




Lavo a alma com tempero

Deixo escorrer a solidão

Abraço me em perfume escorregadio

Alimento o corpo e o coração


Preciso sentir o perfume

Embalar me no lenço da essência

Fechar os olhos,

Percorrer o trilho das arrestas da demência

 

Lavo a alma e encontro alimento,

Perco me nas nuvens embriagada

Nas estrelas cintilantes

Na noite bela, fria e estrelada

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

No campo

 (Fotografia João  Condesso)



Dizem meus olhos,

Que bonito acordar…

Ver os flocos da neve

Felizes a bailar.


A brancura sem igual,

O cheiro da natureza,

A neve cai no jardim

É o encanto da beleza.


São momentos sem igual,

Vividos simplesmente,

Cada um, como nunca mais,

Mais uma entre tanta gente.


O aroma silvestre

Que paira no ar

Só consegue sentir

Quem souber respirar.


Ser Beirão é entender:

O cantar dos passarinhos,

O som da tempestade,

O termos tempo para estarmos sozinhos.


Com os flocos a cair,

Lentamente e sem pressão,

Revemos as imagens,

Que nos fazem bem ao coração.


Gélida a tempestade, convida ao aconchego,

Um sonho, um abraço, uma canção

O crepitar da chama que incendeia

Uma caneca de chá junto a lareira, não e ilusão.


QUANDO EU MORRE

 




Quando eu morrer e deres por falta de mim

Procura-me numa flor de canteiro

Andarei perdida numa manha de nevoeiro


Quando eu morrer

e o meu cheiro desaparecer

Procura me numa folha em branco

Num rabisco de tela ao amanhecer


Estarei saudosa, numa transversal de viela

Invade a minha mente profana

Com óleo num pincel, chama por mim

e deita os sonhos na minha cama.


Chora por mim sem tristeza,

Acalma a angustia profunda

Eu estarei bem na minha morte imunda.


Quando eu morrer serei paz e tormento,

Mas serei sobretudo alento

Quando finalmente eu me for

Termina a dor

Olharei para a morte e em paz seguirei…

Finalmente me abandonei


terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Eu, vista por outra pessoa

Maria Clara Falacho Pena Correia.

Nasceu em novembro, já o frio espreitava,
Filha de Luísa e de José, gente que na terra lutava.
Maria Clara, de apelido Pena tem alma de vento,
Cresceu entre o campo e o sonho, em constante movimento.
A escola ficou pesada para a sua pressa de viver,
Entre o irmão que chegava e o tanto que havia para fazer.
No inverno, a agulha tornou-se então o seu destino,
No verão, o ajudar a mãe traçava o seu caminho,
Em cima da albarda, lá ia ela, de cabelos ao vento,
Com um caderno na mão e o mundo no pensamento,
Numa página o vestido, na outra a poesia,
Lendo Amor de Perdição enquanto o sol se punha e nascia.
Aos treze anos, a sua velha máquina de pedal já cantava,
Por vezes o ponto falhava, mas para ajudar as mulheres, ela insistia
No palco com o pai Zé Pena, a arte transbordava,
Pois quem tem o dom na música, tem na alma a alegria.
Casou, foi mãe, deu vida a dois lindos meninos,
nunca deixou que o tempo lhe roubasse os seus miminhos
Pela escrita, pela lente, pela luz da fotografia,
"Maria Clara, a insatisfeita", no silêncio se descobria.
Os filhos cresceram,
Aos estudos, à escola ela decidiu voltar,
Atrás do conhecimento que sempre quis agarrar.
Em 2008, o digital abriu uma nova janela
E no Silêncio da Noite, a blogosfera ficou mais bela.
Colaborou no jornal “Falcão”, no ”Interior” deixou a tinta da sua voz,
provando que o talento e a arte nunca caminham sós.
Dadora de sangue, dadora de tempo, dadora de fé na catequese
Fez do voluntariado a sua mais nobre e singela tese.
Na Liga Contra o Cancro ou na Paróquia a ajudar,
A Clara é o exemplo de quem na vida quer amar.
Soletrando existência e paixão no caminho da natureza
A genuinidade do destino, é, ao nascer, a maior beleza.
"Com pena de saber pouco", confessa com humildade,
Mas quem tanto deu de si, já devia conhecer a verdade,
Seja com a linha, a máquina, ou a caneta na mão,
Maria Clara é a prova de que a arte tem coração.
Das lides do campo ao mundo digital
Maria Clara é mulher triunfal!

Com um beijinho
Ana Fernandes

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Dia mundial da radio

Feliz dia da Rádio 

Nas ondas da Rádio 
Acontece magia
Os sonhos são reais
Transformam o nosso dia.

Seja em onda média ou FM
De forma artesiana
Na radio acontece
Magia para quem ama.

Os sonhos viram magia
As vozes aconchego
Tantas vezes companhia
Em mentes em desassossego.

Trazem nos as noticias
Informação sem igual
Exigência no transmitido 
Na Radio tudo é verdadeiro e real.

Desejo a todos um feliz dia
Colaboradores, seguidores e ouvintes
Não só hoje
Também nos dias seguintes.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

http://wwwnosilenciodanoite.blogspot.com/2009/02/utopia.html

 

UTOPIA


Juntemos as vozes num abraço

Na ânsia de muito mais querer

Andemos, procuremos um espaço

De luz fulgente que irradia a terra do nosso viver


 

Que a harmonia vibre e se manifeste

Que o humano não viva só de ilusão

Numa terra que é tão agreste

Aprendamos com crianças inocentes a abrir o coração


 

Na presença de quem amamos

Em doces lares que construímos

Nesta vida que frequentamos

Vamos fazer dela, o melhor que conseguirmos


 

Numa melodia calma, bela, simplesmente assombrosa

Esculpimos com rigor e perfeição

O esboço duma flor, talvez uma rosa

Com as nossas mãos, o martelo e o formão


 

Porque a perfeição não existe

Neste mundo de procura

Tentemos a aproximação

E comparemos com A ternura.

Caminho

 




Por entre as brumas dos atalhos

Ando...ando...para encontrar

Não sei o quê, mas vai fugindo

Velho percurso continuo a palmear



Eterna sonhadora

Que há de partir também

Dona de horas silenciosa

Desmaia com o fulgor que a luz contém



Ansioso desejo selvagem

Noite mágica de luar

No céu estrelas com imagem

Ao silencio volta para escutar



Pés nus

Por caminhos a florescer

Esfinges olhando

O belo dia a amanhecer.


segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Filhos de outras mães



Pensar em felicidade
Vem a memoria um botão de rosa
As crianças a correr
Uma noite gostosa


E quando um sorriso ao rosto vem
Demonstra toda a felicidade
É o presente, é o passado
A vida, a simplicidade


A viagem já feita
A pescaria sem nada pescar
O filme já visto
O livro por encontrar


O riso sem termo
A brincadeira enternecida
Um passeio de bicicleta
A queda conhecida


Páginas de vidas
Felizes, perfeitas
Um jardim a florir
Por entre ruas estreitas.



Pobre criança que dorme
No banco daquele jardim
Ai da mãe que o sofreu
E vê o seu filho assim


Mágoa maior não existe
Para a mulher que pare e ama
Ver o seu filho tão triste
Sem lhe poder dar uma cama

Menino de rua
Pobre e doente
És filho do céu
Ou de uma mãe ausente?

Sofres sem te queixares
Aceitas o teu destino
Mas a vida pode ser mais bonita
Principalmente a de um menino

Revoltem-se vozes caladas

 

DROGA

 

Jovem, tu que choras

Sem saber qual a razão

Uma vida que ignoras

Que outros vêm e tu não.


Só encontras desprezo e vives na ilusão,

Ali foste nascer, onde outros vivem e tu não.

Procuraste então a vida, la te espera a morte
Num beco sem saída, a solidão é a tua sorte!


Onde a amizade ficou, por detrás de um alguém,
Um alguém que tu já foste e agora não és ninguém.


Todos choram por ti, mas dominado já tu estás......
Escolheste-a, para tua parceira de nada és capaz.


Sem ela não vives bem,

Choras acordado sem sossego nem paz,

Estás perdido, levanta-te e sorri…

Se ainda fores capaz.


Força já não tens

Deixaste o vicio te dominar

Queres sair, mas já não consegues andar.


Lembra-te que também é para ti,

Que o sol nasce e cai a lua,
Num sentimento de prazer

Desta vida nua e crua.


. Vive não te deixes morrer....

Recorda-te que a vida é viver.


Só tu com o mundo…O medo e tu.
Droga ...porquê droga!
Foge não te deixes agarrar
Nesta vida que te afoga e não te deixa amar

Vem viver, vem sorrir, vem amar…
Num mundo só e real, Não vivas no sonho
O sonho não é viver, esse que vives é doentio e mau
E vi vê-lo é morrer,


Morre-se todos os dias
Com a ilusão da felicidade, procura-se um sonho
Encontra-se o inferno da realida

domingo, 8 de fevereiro de 2026

GUITARRA

 

Hoje, apenas ouço melodias tristes no trinar da velha guitarra…

Neste silêncio doloroso sinto a alma, meu Deus será que eu tenho alma?

Tanta duvida!!!

Tanta vontade de ver uma sombra no escuro, uma luz que nem sempre brilha.

Ó duvidas minhas!!! Ó incertezas verdadeiras!!!

Magia que procuro nesta noite escura, estrelas cintilantes companheiras dos amantes,

Das caricias verdadeiras…vontades traiçoeiras.



Voar

 

Neste lugar magico, onde te encontro e me perco,

Junto o ser e o sentir, em balanças de dividir.

Querer-te tão perto…

Sentir-te tão longe…

Uns metros são barreira, são tormento são fronteiras.

Esgueiro a utopia e magia eu descubro,

No perfeito inverso do verbo odiar…

O ter-te sempre presente dá-me asas para voar…

Devaneios

 

Fecho os olhos rasos de água, purificados pela dor que me trespassa.

Ouço as tuas palavras que me alimentam a alma, que me fazem levitar e querer viver mais para te sentir. Sinto o teu abraço, aquele abraço que devia ser meu, que me aconchega e faz sentir em casa, mas, há sempre um mas….

Rapidamente te ouço dizer não, inventas palavras, desculpas como se aquilo que eu estava a sentir fosse o maior dos males. Ouvi-te sem te ouvir, olhei-te e mal te vi. Eu só queria parar o tempo no nosso abraço, só te queria tocar sem reservas, mas não podia. Tu não querias. Doeu. Dói sem reservas, sem aviso ou piedade. Eu não devia sentir-me assim, já não sou jovem e sei lidar com ausências. Sim, as tais que não me alimentam, as tais que me fizeram quem sou hoje, mas eu ousei sentir novamente, ousei fechar os olhos e imaginar-nos a descobrir a essência da Paixão. Aqueles beijos que trocamos na nossa rua escura, que guardei e sempre comparei, foram e serão o meu porto seguro, os que eu quero para me alimentar.

Fui traída pelo destino mais uma vez, porque sim, porque me iludi, porque eu acho que só devemos ser fiéis a nós próprios, às nossas vontades e sentimentos, porque a vida é nossa e as transversais são só nossas, tao nossas como a pele e o ar que respiramos. Mas eu não estou certa pensas, porque as pessoas a vida e os astros não concordam com o que é só meu…porra, eu só te queria sentir….

Eu não te queria roubar a vida, eu não me queria matar numa reta sem travões. Só queria olhar para o lado e abraçar te, sentir a tua respiração ofegante junto do meu pescoço e bem devagarinho perder-me em ti e ousar sentir.

Coloquei a chaleira a ferver, fiz o chá que aprecio e sentada neste cadeirão deslizo os dedos pelo teclado enquanto revejo o momento, e lentamente te perco….

Sou nada nesta vida, faço tudo, invento horas, mas o que realmente importa e não consigo ter….

Abraço-te no silencio da noite, num Adeus profundo, porque a vida não nos permite um até já. Entrego-te o meu sentir selado com lágrimas salgadas, para guardares no livro da memória, e quando eu já não estiver cá, terás sempre a certeza de que eu fui tua sem ser……

………

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Temporais

Os Deuses andam zangados
Querem dizer nos uma coisa qualquer 
Com tragédias mais tragédias 
Só não percebe quem não quer.

Este é o nosso fado
O da dor, da saudade e da tristeza
Neste pais a beira mar plantado
Onde existe tanta beleza.

Somos humanos
Nem sempre perfeitos , nem justos
Cometemos erros
Os mais injustos.

O vento sopa
É assustador
Só vemos desgraças nos ecrãs 
Com elas tanta dor.

Mas eu queria salvar o mundo
Dizer, que o ser humano vai mudar
Que deixa para trás a malvadez
E vai descobrir o verbo amar. 

O tão simples tornou se complicado 
Já não existe união
Vai cada um para seu lado
Saboreando a sua solidão. 

E no verbos principais
Passou a existir a maldade
Não se prioriza o amor
Nem a arte da verdade.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pomba branca

Sempre que uma pomba branca  levanta voo, percebemos que não  somos da terra, não  viemos para ficar, mas ficamos ao voar. 
Sinto uma ligação  estranha  entre as penas brancas e as penas da dor, da saudade, do verbo partir.
 A paz que me aconchega e o lacremejar sem dor, só  saudade e aconchego num colo que me diz presente, num colo que ao partir fica, num colo que me diz segue. 
Que coisa estranha, que sentir onde o partir e o ficar se cruzar no perfeito verbo amar. 
Sei onde a pomba me leva, sei o que me quer dizer, eu deixei crescer essa verdade em mim, por cobardia ou necessidade, hoje sinto que é  verdade. 
Sempre que alguém  parte fica em nós, nunca nos deixa sós.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

...a casa dos avós

...a casa dos avós foi colo, foi dor e é saudade.
Foi tanto que guardamos para a vida o chão, as portas e janelas, lembramos os pratos velhos de barro riscado, as colheres de lata e as tejelas.
E aquele caldo de grão, com sabor a carne da cabeca e couve ripada?
O bucho do porco na matacina?
Ai a saudade da casa dos avós!!!
Chovia e a velha telha pingava, o alguidar guardava a água para acrescentar a panela do porco, sim, porque a mesma fogueira fazia comer para todos.
O pechorro de barro aquecia o vinho no inverno frio, ajudava a aquecer a alma, a alma e as dores. 
Anoitecia e o vento zumbia, la longe na serra o ribeiro de água delineando seus trilhos desaguava no lameiro produtivo.
No escuro Inverno, a luz da candeia apaga se, era o vento vindo do norte anunciando a chegada da madrugada e com ela o cieiro cortante. 
Abençoado lenço, era de merino negro, pontas desfiadas com o uso. Era o adorno mais bonito das memórias da avó. Tanta classe ao costurar as combinações de linho, pelas suas mãos fiado, pelas suas mãos bordado.
 A casa dos avós foi escola, foi sonho ilusão. 
No vazio, no silêncio construí castelos, desenhei rabiscos e aprendi o significado da palavra saudade e colo.

Vida

Entre a dor e a esperança 
O brilho e o temporal
Passo pela vida
Com a minha forma única, sem igual.

Aprendi a viver com pouco
Silenciando na minha quietude
Morrendo devagar 
Neste crepúsculo da minha juventude

Embalo me com músicas 
Escrevendo versos tão reais
Sonho com palavras, descubro vidas
Nas ruelas, transversais. 

E no escuro que me escondo
Encontros as reticências 
Perto duma qualquer virgula 
Tudo em causa, as aparências. 

Depois o sol vem
Espreita na fresta duma janela
 As flores florescem
E a estrada deixou de ser ruela.

Dias, caramba!
E tão difíceis de suportar
A solidão aumenta
Já bem eu me consigo aturar

 

O sol espreita por entre as frestas de um roseiral, raios que brilham em dias de temporal…

A ausência de beleza efémera de luzes que o palco pede, dói.

 Ho cenas intemporais dum sonho que a vida concebe.

 (…) Desce o pano, apaga o fulgor, três pancadinhas vida ao redor…

Cristais que brilham, 

Mulher Princesa, Joias raras entregam-te sua beleza.

 Seres mais que perfeitos, na escarpa do teu percurso, pensamentos diversos de um diadema ofusco.

Hoje, um dia como tantos outros, vêm há memoria vidas vividas, momentos únicos partilhados, os especiais apenas guardados num baú de madeira maciça com segredo Chinês.

 Ho tradição de bom Português!

 Sótãos, catacumbas, velhos sobrados, apenas guardados.

Um trinar de uma guitarra, embala a nostalgia, o som do silêncio acolhe, o poema, a melodia…

 Parabéns a ti Mulher, onde as rugas brotam com vaidade, um sorriso engrandece um ser, que merece eterna felicidade. Apaga a tristeza, rega a paixão, vive a beleza do amor, a imensidão!

Um ser entre muitos, mas apenas tu.. 

 acalma os temporais, ou levantas vendavais

. Sorris na tristeza, rezas na dor do pobre sofredor.

 Então é assim que tu és, um ser entre muitos, mas apenas tu…

não dizes adeus quando tens que lutar, não enxugas as lágrimas quando te apetece chorar.

 És diferente, há uma visão e uma chama em ti, a tua jornada é a imortalidade em busca de felicidade.

 A montanha é alta, o rio longo e fundo, mas tu Mulher, moves montanhas, bracejas águas, chegas ao fim do mundo, não te atreves a desistir, porque o desafio é o teu mundo.

 

Quadras leves

 

Apenas queria dar-te uma flor

Acariciar o teu sorriso

Sentir o teu perfume

Fechar os olhos, encontrar o paraíso.

 

Apenas descobrir no teu olhar a magia

Envolver-te em desejos

Matar a utopia

Saborear os teus beijos.

 

Apenas ternura partilhada

Num sentimento que é de dois

Numa cumplicidade anunciada

Um adeus para depois.

 

Apenas um querer

Tão simples quanto isso

Mas nem sempre o querer é poder

E o desejo não é submisso.

Castelo

 

Rodeada de muros robustos, encontrei-me no aconchego, encontrei-te protegido, acredito, que mesmo assim perdido.

 Por entre rochas e arvoredos, senti a tua ausência, no recanto de uma prisão, no mais belo dos locais, onde vive a minha paixão.

Acariciei o pensamento, por teus braços envolvida, reconfortei o alento, em sonhar perdida no tempo da nossa distância de vida.

Confessar-te esta magia, é coragem que me falta podes crer, no abraço que te envolvia, no beijo que pretendia, em meus braços te envolver.

Desnudar a tua timidez, num olhar terno e profundo, abandonar a sensatez, perdermo-nos talvez…esquecermos o mundo.

Desejo…desejo muito…descobrir o porquê do teu” não”, consegues levar-me ao fundo, preciso tanto da tua mão!

Acaricia-me em teu silêncio, aconchega-me com tua ternura, seremos só tu e eu, a viver esta aventura.

Sonha…deixa-te levar…embarca neste comboio que é o meu, ficas na próxima estação, mas antes da viagem terminar, concluirás que valeu…

Tudo e nada te dou, pois não tenho que te ofertar, apenas dois braços, cumplicidade e o perfeito inverso do verbo odiar.

 Este tão pouco é tanto, para quem nada tem, apenas nos lábios um beijo e um sorriso, que te convidam: Fica comigo…vem!


Tua sem ser



Fecho os olhos rasos de água, purificados pela dor que me trespassa.

Ouço as tuas palavras que me alimentam a alma, que me fazem levitar e querer viver mais para te sentir. Sinto o teu abraço, aquele abraço que devia ser meu, que me aconchega e faz sentir em casa, mas, há sempre um mas….

Rapidamente  ouçote dizer não, inventas palavras, desculpas como se aquilo que eu estava a sentir fosse o maior dos males. 

Ouvi-te sem te ouvir, olhei-te e mal te vi.

 Eu só queria parar o tempo no nosso abraço, só te queria tocar sem reservas, mas não podia.

 Tu não querias.

 Doeu.

  Dói sem reservas, sem aviso ou piedade.

 Eu não devia sentir-me assim, já não sou jovem e sei lidar com ausências.

 Sim, as tais que não me alimentam, as tais que me fizeram quem sou hoje, mas eu ousei sentir novamente, ousei fechar os olhos e imaginar-nos a descobrir a essência da Paixão.

. Aqueles beijos que trocamos na nossa rua escura, que guardei e sempre comparei, foram e serão o meu porto seguro, os que eu quero para me alimentar.

Fui traída pelo destino mais uma vez, porque sim, porque me iludi, porque eu acho que só devemos ser fiéis a nós próprios, às nossas vontades e sentimentos, porque a vida é nossa e as transversais são só nossas, tao nossas como a pele e o ar que respiramos.... Mas eu não estou certa pensas, porque as pessoas a vida e os astros não concordam com o que é só meu…porra, eu só te queria sentir….

Eu não te queria roubar a vida, eu não me queria matar numa reta sem travões. 

Só queria olhar para o lado e abraçar te, sentir a tua respiração ofegante junto do meu pescoço e bem devagarinho perder-me em ti e ousar sentir.

Coloquei a chaleira a ferver, fiz o chá que aprecio e sentada neste cadeirão deslizo os dedos pelo teclado enquanto revejo o momento, e lentamente te perco….

Sou nada nesta vida, faço tudo, invento horas, mas o que realmente importa e não consigo ter….

Abraço-te no silencio da noite, num Adeus profundo, porque a vida não nos permite um até já.

 Entrego-te o meu sentir selado com lagrimas salgadas, para guardares no livro da memória, e quando eu já não estiver ca, terás sempre a certeza de que eu fui tua sem ser……

 

Perdida

 



Perco-me nos buracos que começaram pequenos,
Foram aumentando e por dentro estilhaçando,
O que fui, o que sou, o que não serei...

Portas mal fechadas, fechaduras forçadas,
Espaços vazios e inócuos, fugazes barulhos
Que só eu sei ouvir... das portas que não queria abrir...

Percorro os caminhos descalça de sonhos,
Os olhos turvos e cabisbaixos, desprovida de tudo...
Sento-me no chão e procuro onde deixei o que era,
O que fui, o que sou, o que serei...

No silêncio acutilante ouço o meu eco ressoar.
As lágrimas caem salgadas e sozinhas,
Travei batalhas que não as minhas,
As perguntas amontoadas num canto sem resposta
Lembram-me que é chegada a hora,
De desistir... de me deixar ir...

O que fui? O que sou? O que serei?
Apenas de uma coisa eu sei...
Perdi as cores com as quais um dia me pintei... 


Folha em branco

Serei apenas uma folha em branco de uma história que não  escrevi... Serei apenas simples e singela pena no zumbir do vento... Serei apenas ...