Eu sou silvestre ou roseira brava…
Que germinou no bardo de um silvado
Rompi por entre espinhos…
Num dia de céu nublado.
Porque a dor contagia tudo em redor…
Fere calma e lentamente
A esperança de uma flor…
O coração mais resiliente.
Suspiro para aliviar a alma…
Da dor que em mim provoco
Espinhos são tormentos…desejo…
Das lágrimas que em mim sufoco.
Ai de mim que não sei viver…
Agarrada por entre espinhos
Contemplando a beleza desta natureza…
Histórias vou escrevendo…
De utopias…
em dias de sol ou noites frias
Voam com o vento…
Com elas o sofrimento
E regressam novos dias.
Nas pétalas das minhas flores…
Encontro a harmonia desejada
Ou fantasiada…
No aroma o alento…
os olhos um momento
Embalo a dor…
Espanto o sofrimento.
O grito que solto…
Sem querer, talvez
Faz eco,
atravessa montanhas
Mistura-se com o zumbir do vento…...
Provoca as notas mais estranhas….
Numa melodia que embala…
encanta
Encontro o ombro amigo…
desejado
Partilhar é dividir e assim subtrair
Um destino já traçado.
Nestes bardos da vida…
Em que germina o sofredor
É constante a despedida…
Nesta vida repartida
Entre as silvas e uma flor.
Escrevo duas linhas…
Rabisco um roseiral
Guardo-as…
são só minhas
Encontro-me nas entrelinhas, sobre um luar celestial……………….
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