sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Temporal

As pedras choram,  vertem lágrimas,
 Assolam o País os temporais 
o mundo está  um caos.

Descontente o universo alerta.
Não  estamos no caminho correto 
A nossa hora está  certa.

Dilúvio, tufões  e tremores de terra 
Neve, chuva  e vendavais
Tudo está  presente, tudo são  sinais.

A fragilidade humana é posta a prova
Mas há  sempre alguns que ousam desafiar
A força  da natureza e com ela brincar.

Somos tão  nada
Somos tão coisa nenhuma
Somos beira de estrada 
Qual raiz de corcuma.

A angustia e dor consome nos
Somos impotentes com o acontecido
Não  há  quem não  tenha
Nesta tempestade um amigo.

 A preocupação  mantém  se
O mau tempo vai continuar
Sabe Deus o que pode acontecer
Só  descansare mos quando terminar .

As pedras choram
Transbordam de angústia gritante
Temos tanto nesta vida
Que podemos perder num instante. 

30 janeiro

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Chove

O Céu  chora
Desfaz se em lágrimas cristalinas  
A intensidade é tanta que nos deixa apreensivos
Lembramos os perigos.
Repensamos a vida, tantas vezes sofrida
E percebemos que somos mortais
Que nada podemos fazer contra a naturesa
Que tantas vezes nos apanha de surpresa.

Hoje a chuva cai
Parece um remoinho
A bravura sobressai 
Na enchente do caminho.

Não  deixa margem para dúvidas 
Os terrenos alagados
O temporal é feio
Os corações  estão  desassussegados. 

Janeiro está  a terminar
Já  nos brindou com um pouco de tudo
Fevereiro  vem a passos largos
Com ele trás  o entrudo. 

Menos dias para versos
Esperemos que o sol espreite
Com ele chegue o cuco
Com o seu canto nos deleita .

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Neve

Os pequenos flocos de neve
Caiem calma e graciosamente
Pincelam tudo ao redor
Fazem lembrar o antigamente

Serras e planícies
Telhados e quintas
Todos branquinhos 
Fazendo a delícia dos animais

Correm ao descobrir
Um manto branco que ficou no chão 
Derrete suavemente
Aconchega o coração 

É a neve na Beira
No Interior de Portugal 
Um bonito olhar
Neste bilhete postal 

Riqueza das riquezas
Deste Portugal profundo
Beleza sem igual
Num cantinho do mundo.

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

" Todos juntos seremos nós "

'Todos juntos seremos nós' 

Os pedintes, os pobres  pensadores,
Os poetas, amantes e amores.
Juntos numa busca constante 
De um viver viciante,

E .... uma arma cortante....as palavras.

Juntos procuramos rimas, risos, estrofes 
Usamos reticências  em lugar de finais
Mascaramos aparências  à  luz de vitrais

Contamos estrelas à  luz da Lua 
Acedemos  velas vermelhas no lusco fusco da noite escura
Somos silêncio  e temporal 
Guardamos saudades como verdadeira tortura .

"Todos juntos seremos nós "
Poetas

Janeiro

Há  relâmpagos no ar
Já se ouvem os sons das tormentas
O janeiro a terminar
O inicio das merendas. 

Frio sem fim
Nesta Beira abençoada 
A lareira a crepitar
Mais uma jornada.

Somos filhos do vento
Do gelo e da branca neve
Somos suor e saudade 
De quem um filho concebe.

Somos ceifa e cereal 
Palha e bagos no chão 
Vivemos o temporal
Com alegria no coração. 

E o céu  abre se
Num instante aterrador
São  os trovões  de janeiro
Anunciando o Amor.

Chove torrencialmente
Levando as lágrimas e a saudade 
Aconchego na Oração 
Que nos leva a imortalidade.

O granizo veio dar um ar da sua graça 
Caindo e embalado
Queria marcar presença 
Neste janeiro atribulado.

Está  escuro
Mas ainda não  é  a hora marcada 
É  o Céu se fechando
Ao som da trovoada. 

Anoiteceu mais cedo
Para nos mostrar quem manda 
O Deus nosso Senhor 
 A chegar a sua  varanda .

Bom dia

Hoje digo bom dia
Em manhã  de temporal
O josef chegou
Para assolar Portugal

Depois da neve na serra
Agora o vento, chuva e mar revoltado
Parace que  Deus  querer mostrar 
Que está  muito zangado

Terça  feira de Janeiro
Dia escuro e nobelado
Pés  frios, rostos cinzentos 
Chão  muito molhado.

Amanhã  é  outro dia
É de esperança  renovada
Aguardemos calmamente
Pela nova madrugada.

Vamos a Radio Limite 
Criar estórias, viver momentos
Conhecer a prof. Celeste Almeida.
Mostrar os nossos sentimentos.

Falaremos de poesia
Arte e a nossa vida
Mostrar um pouco de nós 
Tantas vezes sofrida.

Entre nervos e expectativas
Vamos escrevendo o livro das vivências 
A nossa vida enche as páginas
De esperança, sonhos e experiências. 

No regresso faço  um verso
Envolvendo os companheiros de aventura
Partilho convosco
Da forma mais pura.





segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

....a companhia

A companhia que me abraça 
Nestes dias de temporal
O papel e uma caneta
A leitura de um jornal

A máquina  para registar
Num clik bem guardado
As imagens fi ficam
Num quadro pendurado

Vivências de quem do campo é
Aconchego que sinto ao tê-las 
Rotinas que se tornam presença 
Feliz de quem consegue vive-las


domingo, 25 de janeiro de 2026

Mulher maria


O sol espreita por entre as frestas de um roseiral, 
raios que brilham em dias de temporal…
A ausência de beleza efémera de luzes que o palco pede, 
dói.
  Cenas intemporais dum sonho que a vida concebe. 
(…) Desce o pano, apaga o fulgor, três pescadinha vida ao redor…
Cristais que brilham, Mulher Princesa,
 Joias raras entregam-te sua beleza.
 Seres mais que perfeitos,
 na escarpa do teu percurso,
 pensamentos diversos de um diadema ofusco.
 Hoje, um dia como tantos outros,
 vêm há memoria vidas vividas
 momentos únicos partilhados,
 os especiais apenas guardados num baú de madeira maciça com segredo Chinês.
 O tradição de bom Português!
 Sótãos, catacumbas, velhos sobrados,
 apenas guardados.
 Um trinar de uma guitarra, 
embala a nostalgia,
 o som do silêncio acolhe,
 o poema, a melodia…
 Parabéns a ti Mulher
 onde as rugas brotam com vaidade,
 um sorriso engrandece um ser,
 que merece eterna felicidade.
 Apaga a tristeza, rega a paixão,
 vive a beleza do amor, a imensidão!
 Um ser entre muitos
 mas apenas tu…
 acalma os temporais
 ou levantas vendavais
. Sorris na tristeza
 rezas na dor do pobre sofredor.
 Então é assim que tu és
 um ser entre muitos,
 mas apenas tu…
não dizes adeus quando tens que lutar,
 não enxugas as lágrimas quando te apetece chorar.
 És diferente, há uma visão e uma chama em ti,
 a tua jornada é a imortalidade em busca de felicidade.
 A montanha é alta,
 o rio longo e fundo,
 mas tu Mulher,
 moves montanhas,
 bracejas águas,
 chegas ao fim do mundo,
 não te atreves a desistir,
 porque o desafio é o teu mundo.


OUTONO

 




Folhas de outono que caiem lenta e melodiosa-mente belas

lembram-nos, que a estação e de repensar, de deixar para traz muito daquilo que não nos serve.

Outono, tempo de mudanças, de escolhas, de melodias terrestres.

Cores quente, de aconchego, de arte e de poesia.

Lembramos os verdes anos, com a chegada da aurora.

Damos connosco a pensar que a hora certa e hoje.

Hora de desprender, de voar, de partir sem destino com um único objetivo….Viver.

Viver muito, neste outono da vida, no outono do ano.










Mais um dia




Seguem me me os fantasmas de uma vivencia conturbada.

Não me sinto uma boa pessoa.

Ferem me como esfinges de vidro cenários que deviam ser ultrapassadas, magoam me com requinte de malvadez.

Vivo rodeada de gente numa solidão tremenda.

Este lugar onde não sou eu, onde não partilho, me dou ou me entrego e o inferno dos dias de calmarias.

A ansiedade mata cada instante que devia ser feliz.

Destrói me tanta certeza, tanta verdade, que mal sei que existo.

Morro todos os dias com o embalar de uma musica, com a estrela que se apaga em cada madrugada e perco me num sol incandescente num dia de inverno.


Avo PENA

 

Lembro me do meu avo PENA , homem com postura imponente, com ar impecável, uma marrafa devidamente penteada estilo Elvis.

Calcava tamancos com rasto de madeira e com meias solas para não se estragarem, brochos de pregos tal qual as ferraduras dos cavalos.

Este meu olhar de 3 anos ficou para sempre na minha memoria.

Jarra de barro na mao, dirigia se para a adega, que se situava a uns metros de casa do lado oposto do caminho.

Chamava se adega, porque para alem do lagar de pedra frondosa e respetivo pio, tinha também os túneis de madeira com aros de ferro.

Lembro me tao bem!!!

Era criança e guardei para sempre na memoria este meu avo Pena…

Matou se num dia que ia a tribunal, rixas de pastores. O advogado disse lhe que não era culpado, mas o medo falou mais alto, a coragem que o levou a cometer suicídio abandonou o numa cama.





Eu

 

ERA UMA VEZ UMA PEQUENA MENINA, que nasceu numa família pobre, conheceu as dificuldades da vida, mas cresceu feliz. Era uma menina da terra, do toque e gostava de acariciar o vento. Era feliz ao ouvir os passarinhos e inventava melodias ao ouvir o som do vento.

A Maria Clara nasceu na aldeia, dormia a soneca na manta de albarda da égua tapada com o chapéu de chuva, que a protegia do calor ou da chuva.

Cresceu habituada as cantorias do pai, ao som da sua armonica, todos os dias a seu lado eram festa. Anedotas, versos de improviso ate duetos chegaram a fazer mais tarde.

Era o seu pai o seu sol, o seu protetor, poderá ate dizer que eram duas almas gémeas. O fácil trato, o riso, a boa disposição e a arte de conquistar pessoas facilmente. GENTE POBRE, MAS GENTE BOA.

O tempo vai passando e a menina do campo vai ganhando vida própria, mas sempre com “ estou aqui”” vai”, sonha, realiza e se, feliz.

Pouca gente tem o privilegio de ter um companheiro no crescimento, mas esta menina do campo teve.

PAI.


Viagem


A solidão  mata, corrói  as entranhas.

 A solidão  alimenta os devaneios, mas tempera a morte.

 A solidão  amplia o desejo sem retorno, numa viagem sem hora marcada.

 A solidão  embrutece e  chama por nome a própria  morte

. A solidão.

  A solidão  rodeada de coisas efémeras  dói mais que a própria ausência  de sentires

. Sei, a solidão  mata, ajuda numa viagem sem retorno e um dia não  haverá  consolo que ajude, porque hora após  hora, dia após  dia, noite após  noite a solidão mata, mata a vontade de continuar sozinho acompanhado.

A solidão é  tão  difícil de entender.

A ansiedade toma conta e tudo deixa de fazer sentido.  

Estou tão  cansada de estar sozinha mesmo rodeada de gente, em conversas em que me sinto excluída. Solidão  tomou conta de mim e ninguém  percebe.

Desisti....aos poucos sigo numa viagem sem retorno.


Um Anjo

 

Um Anjo...



Como um ser que se pressupõe habitar no céu...

de grande bondade, pureza e simplicidade !

Um carácter que se distingue entre os outros seres da sua espécie, a sua beleza é delicada...

O seu brilho é imenso...há tantos por aí...a maioria tem asas!

Não sei porquê, andam sempre dois a dois, aos pares...e de mão dada. 



Outros não, deixam as asas em casa, 

ninguém as vê, não é preciso...não faz falta ! 

O amor sempre os descobre, 

ou os imagina...também os transforma...

E tudo aquilo que não tem asas passa a ter, 

Se não voa passa a voar...



Hoje vesti me de branco, 

queria muito parecer um Anjo...

queria voar...tive pena das minhas asas....



Deixei-as na Lua e não as posso ir buscar...



Dor


Esta dor que vem não sei de onde, que me alerta para qualquer prenuncio mau, sufoca me.

Quero tanto sentir paz, saborear a vida que consegui, mas algo me condiciona…. Mata me aos poucos.

Entre tachos e panelas tento abstrair me, mas engole me viva.

Dói… dói no peito, aperta antes que chegue a garganta.

Quero libertar me e não sei como. Quero paz , dormir ao som dos silêncios da noite, do cantar dos grilos. Quero paz……



Mudanças




Viraste amarga, és feita de fel, o teu tempero evaporou se num qualquer lume brando na encosta da serra.

O azedume transborda e o rotulo já te identifica como improprio dos seres.

És a melhor parte de ti que ninguém entende…. És sede da fonte da vida, a corrente cristalina da agua que cozinha em lume brando.

Que fizeram de ti?

Viraste amarga , um ser intragável.




momentos

 

Sinto me enlouquecer. Devagar , devagarinho sinto a minha sanidade mental deteriorada. Dói me respirar, abafa me o peito a angustia que me consome.

Espero que me digam “ esta tudo bem”, mas essas palavras não veem, Tao pouco desconfiam que as preciso ouvir. Preciso sentir que não estou só neste mundo, neste sentir.

Dói me respirar, dói me ser assim fraca, bipolar e insuficiente...Tao insuficiente para todos.

Dói me e vou morrer com dor por sentir que sofro e faço sofrer.




Pai

 


Moro alem no meu casebre

onde há cheiro a rosmaninho

onde nasceram meus pais

e os rouxinóis fazem ninho



Bipolar






BIPOLAR: Um destes dias visitei um blogue amigo, deparei-me com a duvida da sua autora. Tem-se andado a sentir esquisita e como viu uma reportagem sobre a bipolar ficou apreensiva. Aqui deixo o meu testemunho.


Com ………anos e fazendo uma retrospetiva de toda a minha existência, há pontos, mais sensíveis uns que outros. Lembro-me por exemplo da luta que diariamente travo com uma espécie de doença que tem por nome bipolar. É difícil falar dela, porque a luta é mesmo essa tentar esquece-la. Tempos ouve que dependia de uso de medicação, porque juntando a uma depressão, os sintomas são mesmo estúpidos. Hoje, graças a Deus, aprendi a lidar com os sintomas e eu própria já me conheço. Para quem nunca ouviu falar da bipolar muito resumidamente é o seguinte: O doente tem sensações extremas, uma euforia extrema, tem medos extremos, por vezes não existe controlo. Há casos que levam ao suicídio. Não costumo falar disto, mas desconfio que o meu avô paterno se suicidou porque também era bipolar. Tudo me leva a crer isso. Analisei juntamente com o meu neurologista toda a situação. Todo medo duma situação dita normal se transforma numa coisa horrível, até insuportável. O meu avô no dia do seu suicídio era arguido num processo de tribunal, tudo levava a crer que ele era inocente e que seria ilibado, mas não conseguiu aguentar a pressão, matou-se esse mesmo dia de manha.
Ainda tenho a imagem dele deitado em cima da cama depois de ter tomado veneno das batatas. Naquele tempo não havia como diagnosticar, nem a medicação adequada para aliviar as crises.
Digo crises, porque quando se fica de tal forma deprimido só se esta bem isolado, deitado e em silencio. Parece fobia social mas não é.
Há alturas em que todos os problemas são simplificados de tal forma que a felicidade é tanta que parece irreal, e é porque isso que é muito natural em quem tem essa doença.
Há uns anos para cá tentei informar-me para me puder libertar dos químicos, hoje posso dizer que consegui, tomo só de vez em quando um comprimido rosa quando noto que vou precisar e ainda não estou em crise.
O primeiro passo é o conhecimento da doença, dos sintomas e de nós próprios e aí consegue-se ter uma vida normal. Eu costumo dizer que toda esta genica que eu tenho e que só quando paro respiro, me vem da doença. Tal como os momentos de nostalgia que eu transformo em poemas tristes também são uma faceta dela.
Só para rematar este capítulo da vida real, eu, também já tentei o ….., mas acredito que não o voltarei a fazer, pois tenho bases sólidas que me ajudam a manter a sanidade mental limpa. Os meus filhos que são o valor mais precioso para mim.
Também já tive momentos de verdadeira loucura que nos parece a nós, que estamos num momento de embriagues, que passamos por tudo, em todo o lado, sem fazermos um único risco na nossa vida. Descobri que a escrita me ajuda, que muita coisa me ajuda, mas a verdadeira ajuda tem de partir de mim e só de mim.

Neve


 Que bonito acordar…

 Ver os flocos da neve Felizes a bailar.

 A brancura sem igual,

 O cheiro da natureza,

 A neve cai no jardim

É o encanto da beleza.

São momentos sem igual,

 Vividos simplesmente,

 Cada um, como nunca mais,

 Mais uma entre tanta gente.

 O aroma silvestre, que paira no ar ,

 Só consegue sentir, quem souber respirar.

 Ser Beirão é entender:

 O cantar dos passarinhos,

O som da tempestade,

O termos tempo para estarmos sozinhos.

Com os flocos a cair, lentamente e sem pressão,

Revemos as imagens, que nos fazem bem ao coração.

Gélida a tempestade, convida ao aconchego,

 Um sonho, um abraço, uma canção.




So

 



…… Se as estrelas falassem comigo nesta noite de luar

Eu contaria as minhas histórias e saberia que sozinha não estava a falar.

Falava das noites insanas que por mim passaram,

Dos dias longos e rotineiros, das frases que nunca me escutaram,

Elas tão belas e cintilantes, agrupadas ou em desalinho

Não param para escutar um ser tão sozinho.

Como a noite já vai longa, neste inverno frio,

Continuo sem companhia para falar, mas nem por isso sinto um vazio.

Eu gosto de estar comigo, com tempo para pensar,

Em tudo que devo á vida e para continuar a sonhar.

Nesta vida confortável, neste mundo que nem é tão ruim

Não temos tempo de ter tempo, pensamos sempre no fim….

Quadras

Quando se chega aqui
E vejo tamanha beleza
Fico deliciada
Com a harmonia e delicadeza

E porque o encanto é maior
Sempre na despedida
Eu despeço-me com frequência
Mas regresso sempre de fugida

Mas, mesmo a correr eu descubro
O chamamento que embala a alma
Nas rimas dos poemas
Ou nas notas desta música calma

 

Quimeras

 

Como os Lírios plantados no jardim
Que voltam sempre na Primavera
A mocidade foi...
O passado é a Quimera 

lá longe...
Tão longe...
Revivo cada dia
Cada encontro não Tido
E os Lírios voltam sempre na Primavera


A vida passa
O sonho esvai-se
São cores...
São pétalas...
Roxas, Amarelas
Umas caiem, outras sobrevivem
Como os lírios plantados no jardim
Que voltam sempre na Primavera..

Filhos, o melhor da vida

 

Ainda que não tivesse recebido um livro,

Um alfinete feito na escola,

Uma rosa do jardim,

Este seria um dia importante para mim.

Saí cedo, fui dar sangue.

Regressei e encontrei á minha espera,

Quatro braços abertos,

Para me recordar o dia que era.

"Mãe…é o teu dia, mas não só hoje,

Pois para nós são todos os dias dia da mãe.

Sabemos que gostas de ler,

És vaidosa

E não esquecemos a tua rosa"

Fiquei sem palavras,

Com os olhos a brilhar,

São estes momentos

Que nos ensinam a caminhar.


 



Sorri

Ao escrever um poema
Articulando palavras
São aros de aliança
Para o Poeta, estradas.
Sonha, mesmo acordado,
Alcança...
Sem ninguém ver,
Sorri…
Mesmo a sofrer.

 

Estranho sentir

 

Sobre a luz das estrelas
E o som do vento
O canto da tua voz embala-me
Desloco o pensamento
E numa caminhada longa
O aroma silvestre povoa o meu peito
Rejubila todo o meu pensamento
E lá longe a dor afasta-se
A angustia esbate-se
E a calma toma conta de mim
A ti... asa do meu sonho
Nota do meu toque.
Sobre a luz das estrelas
A musica passa
E eu tão quieta

Idealizo te

 



Idealizo-te…
Fecho os olhos e penso em ti.
És sonho, és quimera…
Toco nas nuvens passageiras
Abraço-te em manhas traiçoeiras.


Falo com o vento, envio-te um suspiro
Que só a química do sonho transporta.
És esperança já morta dum viver tentador.
Aquela porta fechada dum inverno sem chuva.
Com lágrimas em desalinho
Palmilhando o meu caminho,


Idealizo-te…


Como onda traiçoeira com seu encanto e beleza,
Como uma ave do campo transportando sua leveza.


Sim…


Talvez a água corrente de um ribeiro,
Límpida e cristalina
Nela refletida sinceridade, onde não existe falsidade.

Caricias






No toque de uma carícia
No sabor ardente de um beijo
Água que percorre o corpo
Por entre os seios, o desejo.


Terno, ardente ou sem controle
Mãos que sabem o caminho
Nota de música conhecida
Cabelos em desalinho

.
Pétala de rosa caída
Testemunha de lânguidos abraços
A vela acesa é chama
Que incendeia velhos traços.


Pergaminhos já lidos
Guardados na memória
Cada linha, cada gesto
Cada sabor para sua história.



Velhos livros

 

Velhos livros


Hoje procurei
Apenas senti saudades
Das pétalas que encontrei


Rosas desfolhadas
Todas uma a uma
Uma eras tu
Cheirava como nenhuma


Tinha sabor a sal
Tempero de ternura
Amor...
Muita saudade
Tinha história escrita
Com várias linhas por preencher
Era um romance lindo
Tudo antes de morrer


Hoje escrevo as linhas tais
Que ficaram incompletas
Sei onde vais
Para mim ficam as secretas



Vida

Nesta peça elaborada que é a vida,

 aonde se cruzam cenas e cenários

Tudo coaduna na perfeição

 artista sorri, cumpre o seu papel
Responsável pela fiel tradição.


Jogos de certo e saber
Ritmos lentos e rápidos
Coisas difíceis de entender
Perguntam os porquês, até os mais sábios.


Todos os finais de dia
O pano cai, o artista fica só e em silencio
No camarim rodeado de todo o seu passado
Remexe no cenário já guardado

.
A lágrima cai…
A saudade espreita…
O tango que passa por uma vida já feita.


Chora perdidamente, pois as lágrimas limpam a alma
Mesmo sem saber a vida passa a correr .

 O roteiro não se altera

Madrugadas de inverno em plena Primavera.

  • Abre gavetas, limpa os retratos
  • Arruma o guarda-roupa
  • Alinha os sapatos.
  •  
  • A vida passa…o artista passa…
  • A lágrima cai e o sonho vai.
  •  
  • Nesta peça que é a vida
  • Há a lembrança comprometida.




 

Eu

Leve acordar de um pensamento estranho.
A nossa vontade de conquistar a imortalidade, não  a da longevidade, mas sim o legado que deixamos para nos tornar imortais.
A vida que vivemos, a forma como o fazemos e o objetivo que conseguirmos.
Quero deixar de mim, quero muito mais ser lembrada do que ser bajulada. Optei por gravar memórias, fazer das minhas vivências um passo para a imortalidade.  Daixar de mim gravado no coração  das pessoas é sem dúvida  o que chamo de luta.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Sorrisos da alma

 


Hoje olhei me ao espelho

reparei que não me reconheço

não por ter esquecido de mim

mas, porque mudei

mudei, não só fisicamente com as rugas a vista

mas sobretudo a minha forma de pensar

caramba...sinto me crescida aos 59 anos

não veja, crescida.

vivi a minha criancice entre serras e barrocos

entre animais e campo.

Sabem, os aos 59 anos

voltava a domar aquelas potras que o meu pai comprava e eu

 habilidosamente domava.

Criava liga coes com elas para a vida.

mas o tempo corre e a menina de outrora virou mulher.

perdeu muito, mas ganhou mais

os sonhos nunca morrem e a vontade de saber mais tomou conta de mim.

Olho o espelho e mal me reconheço

Neve

Dizem meus olhos,  Que bonito acordar… 

 Ver os flocos da neve Felizes a bailar.

  A brancura sem igual,

  O cheiro da natureza,

  A neve cai no jardim

 É o encanto da beleza.

 São momentos sem igual, 

 Vividos simplesmente, 

 Cada um, como nunca mais, 

 Mais uma entre tanta gente.

  O aroma silvestre, que paira no ar ,

  Só consegue sentir, quem souber respirar.  

Ser Beirão é entender: 

 O cantar dos passarinhos,

 O som da tempestade, 

O termos tempo para estarmos sozinhos.

 Com os flocos a cair, lentamente e sem pressão,

 Revemos as imagens, que nos fazem bem ao coração

. Gélida a tempestade, convida ao aconchego, 

 Um sonho, um abraço, uma canção. ……………………………………………………………………

Roseira Brava

Eu sou silvestre ou roseira brava
Que germinou no bardo de um silvado
  Rompi por entre espinhos…
Num dia de céu nublado.
 
 Porque a dor contagia tudo em redor…
Fere calma e lentamente 
A esperança de uma flor…
O coração mais resiliente.
 
 Suspiro para aliviar a alma…
Da dor que em mim provoco 
Espinhos são tormentos…desejo…
Das lágrimas que em mim sufoco.
 
 Ai de mim que não sei viver…
Agarrada por entre espinhos 
Contemplando a beleza desta natureza… 
Histórias vou escrevendo…
 
De utopias
 em dias de sol ou noites frias  
Voam com o vento…
Com elas o sofrimento
 E regressam novos dias.
 
 Nas pétalas das minhas flores…
Encontro a harmonia desejada
 Ou fantasiada…
No aroma o alento…
os olhos um momento
 Embalo a dor…
Espanto o sofrimento.
 
 O grito que solto…
Sem querer, talvez Faz eco,
 atravessa montanhas
 Mistura-se com o zumbir do vento…...
Provoca as notas mais estranhas….
 
Numa melodia que embala…
encanta Encontro o ombro amigo…
desejado Partilhar é dividir e assim subtrair 
 Um destino já traçado. 
 
Nestes bardos da vida
Em que germina o sofredor
  É constante a despedida…
Nesta vida repartida
 Entre as silvas e uma flor.
 
 Escrevo duas linhas…
Rabisco um roseiral Guardo-as…
são só minhas
 Encontro-me nas entrelinhas, sobre um luar celestial……………….

TARDE...TÃO TARDE.

Quando cheguei finalmente, e te encontrei 

Numa noite fria com um mágico luar 

Ouvi o som da tua voz, sem te conhecer

 Num silêncio que embala o verbo escutar. 

Encontrei-te, finalmente!

 Magia de encantar!

 Percebi num minuto, o que iria acontecer:

 Sobre a lua que ilumina

 As estrelas apadrinham, este belo envolver! 

Beijei os astros…

Que loucura

 Numa procura em vão, velhos tormentos, 

Pés descalços, olhos vendados

 Em ramos de rosas, Sentimentos!

 E há dezenas de anos eu era jovem!

 E em desespero pergunto ainda

: Se eu fiz tudo para te encontrar Porquê só agora, nesta vida finda?

 Tarde…tão tarde!.

 Finalmente encontrei-te…

 Então choro amargamente, esta lágrima envolvente

 Por não te ter encontrado…

velho castigo 

E nesta busca teres estado sempre presente.

 Inútil…

Alegria feita de tormentos

 São como flores lançadas ao vento… 

E a vida é uma busca…tortura

 Para os poetas um alento ou sofrimento.

Diz me

Diz-me, amor, se te pertenço, 
Conta-me a beleza do teu sonho eleito,
 Aninha-me em tuas palavras, junto ao teu colo.
 Arranca-me suspiros amor…
suavemente junto ao peito. Conta-me…
mostra-me a luz, neste verso embriagado, 
Num arabesco fantástico…presumo
, Em gestos…ao som dum ritmo descompassado
. Encontras-me em mastros sem velas,
 Em brisa leve, ou temporais, 
Em rabisco de aguarelas,
 Num copo, num toque ou num banho de sais. 
Suspiros dum sonho sonhado
, Entregues numas mãos de raça, 
Num enleio onde já não sei quem sou, 
Se vivo, se morro ou o amor que passa.
 Sonha-me em veludo…com lindos laços de cetim, 
Numa tarde de Outono…dois corpos em abandono,
 Pétalas no chão, perfumam o coração…
bálsamo para mim. 
E aquela estrada…miragem…que nos leva ao sabor do vento,
 Pálidas sedas encharcadas, com gotas de suor e saudade… 
.Sensações que são, alento gosto…a liberdade.

Apenas eu

Sou sombra num entardecer,
 Aquela que acalma teu olhar!
 Sou apenas eu….
 Um ser entre muitos…
 Aquela que traz nos olhos a alma,
 o temporal em tarde calma,
 A tortura do anoitecer,
 em sombra bucólica e íngreme… 
Um ser, apenas eu…
 Uma alma que se alimenta de metáforas
, Ao sabor do vento, grande distância!
 Sou eu a sombra, o beijo dos sonhos…
 A bebida de medronhos que embriaga a nostalgia…
 Apenas aquela…. 
Som da tua distância,
 rabisco de uma infância, ou página em branco…
 Imagem de um caminho que te alimenta na escarpa do delírio. 
Ó nostalgia!
 Ó mágoa em noite fria…
que despe teus desejos…
 Adormece e morre sem teus beijos…
 Apenas eu…
com a tortura de um pensar

Perfeito inverso

Nada mais revoltante que uma conclusão inesperada
 Idealizamos em pessoas que nos rodeiam, pequenos Cristais,
 peças raras e valiosas,
 simples e singelas, mas com um valor inimaginável.
 Soltamos brados em defesa das nossas esperanças,
 gritamos ao vento, sim, este ar é bom…! 
Meu Deus, quantas vezes nos enganamos, quantas vezes vemos o cristal partir, e somos feridos com uma espécie de esfinges de vidro, que massacram e ferem sem dó nem piedade.
 Tentar encontrar peças valiosas que não partam, nem firam quem as rodeia, sem dó nem pensar é um caso raro. A humildade desaparece, quando as luzes ofuscam as almas e engrandecem o orgulho. A esfinge ganha asas e corrói as entranhas de um anjo. 
Pena, muita pena, pois o sonho esvai-se, a desilusão magoa, a realidade é visível.
 E assim se quebram magia, assim nos consciencializamos que o mundo é redondo e ninguém é perfeito. O cristal passa a ser uma peça de Bordalo Pinheiro, tosca, grosseira, mas resistente.
 Magica com suas curvas e fraquezas no Olhar, mas consciente.
 Consciente que a magia se vai tal como no filme:
 E tudo o vento levou…

Triste

Sinto o coração triste
 Um sentir que não sei definir…. 
Uma mágoa profunda que tantas vezes me inunda
 Uma sombra sem partir.
 Uma lágrima que cai 
Um sussurro que transborda
 A magia que se vai, um sentimento que acorda.
 É a dor, aquela que tento espantar
 Aquela que tento diluir…
 Ela regressa traiçoeira, em mensagens de subtrair.
 O perfeito inverso tornasse presente
 Da mágica palavra felicidade… 
O sonho vive ausente Desta estranha realidade.

Velho

O velho estava fraco, cansado e pensava…
 Velhos tempos que já lá vão.
 Triste…
hoje recordo-me de ti
 Quando em moço te segurava pela mão…. 
Sinto tantas saudades como no dia em que parti.!!! 
Fui para longe…pobre de mim!….
.Corri mundo sem parar
 Vi a lua companheira….
.Vi o sol desabrochar.
 Acompanhou-me a saudade
 Do muito que para trás deixei 
Vivi a minha realidade 
Mas de te amar não parei. 
Hoje o tempo passou…

 Recordo-te…moça da minha Aldeia 
Que a janela da minha rua enfeitou
 Com um sorriso alegre…
Teus cabelos ao vento… 
O teu olhar que me enfeitiçou.
 Há lá vida que se assemelhe 
A este encanto que povoa o Céu
 Á melodia da tua voz
 Ao teu dia que não é meu…?
 E assim as palavras viajam, flutuam,
 Tropeçam em recordações
 Regressa o encanto, a magia,
 Dos velhos corações

Mulher

Mulher 
O sol espreita por entre as frestas de um roseiral,
 raios que brilham em dias de temporal… 
A ausência de beleza efémera de luzes que o palco pede, dói.
 o cenas intemporais dum sonho que a vida concebe.
 (…) Desce o pano, apaga o fulgor, três pescadinha vida ao redor…
 Cristais que brilham, Mulher Princesa,
 Joias raras entregam-te sua beleza. 
 Seres mais que perfeitos,
 na escarpa do teu percurso,
 pensamentos diversos de um diadema ofusco.
 Hoje, um dia como tantos outros,
 vêm há memoria vidas vividas
, momentos únicos partilhados,
 os especiais apenas guardados num baú de madeira maciça com segredo Chinês. 
 O tradição de bom Português!
 Sótãos, catacumbas, velhos sobrados, apenas guardados.
 Um trinar de uma guitarra, embala a nostalgia, o som do silêncio acolhe, o poema, a melodia… 
 Parabéns a ti Mulher, onde as rugas brotam com vaidade, um sorriso engrandece um ser, que merece eterna felicidade.
 Apaga a tristeza, rega a paixão, vive a beleza do amor, a imensidão
! Um ser entre muitos,
 mas apenas tu…
 acalma os temporais, ou levantas vendavais.
 Sorris na tristeza, rezas na dor do pobre sofredor. 
Então é assim que tu és, 
 um ser entre muitos,
 mas apenas tu…
não dizes adeus quando tens que lutar
, não enxugas as lágrimas quando te apetece chorar.
 És diferente, há uma visão e uma chama em ti
, a tua jornada é a imortalidade em busca de felicidade.
 A montanha é alta, o rio longo e fundo, mas tu Mulher, moves montanhas,
 bracejas águas, chegas ao fim do mundo, não te atreves a desistir, porque o desafio é o teu mundo.

Utopia

Rodeada de muros robustos, encontrei-me no aconchego, encontrei-te protegido, acredito, que mesmo assim perdido. Por entre rochas e arvoredos, senti a tua ausência, no recanto de uma prisão, no mais belo dos locais, onde vive a minha paixão. Acariciei o pensamento, por teus braços envolvida, reconfortei o alento, em sonhar perdida no tempo da nossa distância de vida. Confessar-te esta magia, é coragem que me falta podes crer, no abraço que te envolvia, no beijo que pretendia, em meus braços te envolver. Desnudar a tua timidez, num olhar terno e profundo, abandonar a sensatez, perdemo-nos talvez…esquecermos o mundo. Desejo…desejo muito…descobrir o porquê do teu” não”, consegues levar-me ao fundo, preciso tanto da tua mão! Acaricia-me em teu silêncio, aconchega-me com tua ternura, seremos só tu e eu, a viver esta aventura. Sonha…deixa-te levar…embarca neste comboio que é o meu, ficas na próxima estação, mas antes da viagem terminar, concluirás que valeu… Tudo e nada te dou, pois não tenho que te ofertar, apenas dois braços, cumplicidade e o perfeito inverso do verbo odiar. Este tão pouco é tanto, para quem nada tem, apenas nos lábios um beijo e um sorriso, que te convidam: Fica comigo…vem!?

Sinais

Como posso ver sem te sonhar, como posso esquecer sem te ter…? Perguntas, reticencias, sinais sem sentido neste sentido da vida. Ouso desobedecer a vontade, vislumbro luz…eu sei que é ofusca e o brilho desapareceu. Não quero, não pretendo contrariar a razão, porque a verdade diz não . Sou o ser que não aparece, que não deixa marcas nem vontades, sou noite que não amanhece nem nas tempestades, nem em realidades. Escondi-me de mim, não quero ver quem sou, porque me envergonho…entristeço…sou o ser que me magoou. Lágrimas deslizam em desalinho num compasso sem retorno alinhado, marcam páginas do meu pergaminho em ânforas bem guardado. Como posso ver sem te sonhar, mato o sonho, risco vontades, escrevo silêncios, aceito realidades? Diz-me tu como faço…Tranco o ar, abro torneiras, fecho a estrada, arranjo fronteiras…sinais... Apenas sinais num simples e velho vidro, não em belos vitrais. Transparência límpida de um realidade apenas, um reflexo presente duma saudade persistente e de uma vontade ausente.

Sonhos

Despida de preconceitos na limpidez dos sonhos, procuras a magia no espelho da realidade. Tristemente encurralada na limitação, que não te permite exprimir, adormeces. Voltas ao sonho profundo, onde a magia acontece e rasgas horizontes. Perdes-te algures numa montanha perfeita. Descobres a nascente de água límpida e transparente, procuras felicidade nos traços de um rosto já cansado, mas belo. O vento balança teus cabelos, entoa um som melodioso, rasga fronteiras com o aroma a jasmim. A garça que passa, transmite liberdade, inspira-te e és feliz. Sonha-te selvagem….

Sonho

Esta noite senti-me levitar
, adormeci com palavras no ouvido
.  Senti o perfume do aconchego.  
Sonhei-te..
. Fechei os olhos
, tive a ousadia de te querer tocar, sentir de volta a tua caricia e não era a sonhar.
 
Abracei-te em pensamento,
 aconcheguei-me nos teus braços
, adormeci no teu peito sem vontade de acordar.

Selvagem

Mar e ar

 A água envolve-te os braços,

 beija-te o sol brilhante, são vontades limitadas apenas por um instante.

 O mar que te envolve, é sal que te tempera

 é magia que enlouquece, 

um desejo que impera. 

Utopias ou talvez não, que envolvem a fotografia

,partilhas em contra mão de uma luz que irradia. 

A brancura do sal aconchega a magia predileta,

 tempera as ilusões, as rimas do poeta.

Selvagem,

 ou talvez não,

 o sonho que enlouquece,

 magia ou ilusão,

 a vontade prevalece

Ausencia

Fecho os olhos rasos de água, purificados pela dor que me trespassa. Ouço as tuas palavras que me alimentam a alma, que me fazem levitar e querer viver mais para te sentir. Sinto o teu abraço, aquele abraço que devia ser meu, que me aconchega e faz sentir em casa, mas, há sempre um mas…. Rapidamente te ouço dizer não, inventas palavras, desculpas como se aquilo que eu estava a sentir fosse o maior dos males. Ouvi-te sem te ouvir, olhei-te e mal te vi. Eu só queria parar o tempo no nosso abraço, só te queria tocar sem reservas, mas não podia. Tu não querias. Doeu. Dói sem reservas, sem aviso ou piedade. Eu não devia sentir-me assim, já não sou jovem e sei lidar com ausências. Sim, as tais que não me alimentam, as tais que me fizeram quem sou hoje, mas eu ousei sentir novamente, ousei fechar os olhos e imaginar-nos a descobrir a essência da Paixão. Aqueles beijos que trocamos na nossa rua escura, que guardei e sempre comparei, foram e serão o meu porto seguro, os que eu quero para me alimentar. Fui traída pelo destino mais uma vez, porque sim, porque me iludi, porque eu acho que só devemos ser fiéis a nós próprios, às nossas vontades e sentimentos, porque a vida é nossa e as transversais são só nossas, tao nossas como a pele e o ar que respiramos. Mas eu não estou certa pensas, porque as pessoas a vida e os astros não concordam com o que é só meu…porra, eu só te queria sentir…. Eu não te queria roubar a vida, eu não me queria matar numa reta sem travões. Só queria olhar para o lado e abraçar te, sentir a tua respiração ofegante junto do meu pescoço e bem devagarinho perder-me em ti e ousar sentir. Coloquei a chaleira a ferver, fiz o chá que aprecio e sentada neste cadeirão deslizo os dedos pelo teclado enquanto revejo o momento, e lentamente te perco…. Sou nada nesta vida, faço tudo, invento horas, mas o que realmente importa e não consigo ter…. Abraço-te no silencio da noite, num Adeus profundo, porque a vida não nos permite um até já.
Entrego-te o meu sentir selado com lágrimas salgadas, para guardares no livro da memória, e quando eu já não estiver cá, terás sempre a certeza de que eu fui tua sem ser…… ………

Em silencio

Olhando o mar 
Neste momento, penso em ti 
 então queria transformar-me em vento para chegar-te como uma brisa fresca e tocar de leve em tua janela... 
E se tu me ouvisses e me permitisses entrar, eu enroscaria em ti quase sem te tocar...
 Roçaria em teus cabelos...
 sopraria mansinho em teu ouvido...
 beijaria tua boca macia... 
e embalar-te-ia em meu carinho... 
Mas eu não sou vento..
. e agora sou só pensamento e estou pensando em ti... 
e se abrires a tua janela, eu estou chegando aí, agora...
 neste momento, em pensamento...
 no vento…

Tao eu

Tao eu.... 
Vagueando nas ruas da alma, tento encontrar os traços, os meus pedaços, O que fui, o que sou, ou o que serei... Perco-me nos buracos que começaram pequenos, Foram aumentando e por dentro estilhaçando, O que fui, o que sou, o que não serei... Portas mal fechadas, fechaduras forçadas, Espaços vazios e inócuos, fugazes barulhos Que só eu sei ouvir... das portas que não queria abrir... Percorro os caminhos descalça de sonhos, Os olhos turvos e cabisbaixos, desprovida de tudo... Sento-me no chão e procuro onde deixei o que era, O que fui, o que sou, o que serei... No silêncio acutilante ouço o meu eco ressoar. As lágrimas caem salgadas e sozinhas, Travei batalhas que não as minhas, As perguntas amontoadas num canto sem resposta Lembram-me que é chegada a hora, De desistir... de me deixar ir... O que fui? O que sou? O que serei? Apenas de uma coisa eu sei... Perdi as cores com as quais um dia me pintei...

Amizades

Amizades
 As verdadeiras amizades não cobram,
 não recriminam, não dependem de tempos, de horas ou conversas.
  As verdadeiras amizades perduram nos silêncios, nas cumplicidades, nas aventuras e desventuras. 
 As verdadeiras amizades constroem-se com sorrisos, partilhas, lágrimas, dores e alegrias. 
 As verdadeiras amizades, não são um tempo, são de tempos, são de sonhos e desventuras, de nascer e por do sol, porque são de tudo e nada.
  As verdadeiras amizades são magicas, porque a distância aproxima e fazem de um dia de chuva um dos mais perfeitos dias da nossa existência.
  Saúdo quem se enquadra na forma singular de sentir " amizade".

Loucos

Com loucuras diferentes, seremos todos loucos, mas alguns conseguem manter a dita sanidade mental sem riscos de lápis de tinta colorida e transversais a preto e branco...  Atenção que pode haver surpresas... Felizes dos normais com transversais a preto e branco, desenhos copiados numa qualquer estação da CP, numa viagem de quem ainda tem coragem de sonhar." porque o sonho comanda a vida" Mas....mas como em tudo e todos, morre o sonho, morremos nós... Hoje sinto que sim, que há sonhos que morrem e novos amanheceres à espreita.

Sonha

Porque Sonhar é Preciso ... 

Despida de preconceitos na limpidez dos sonhos

, procuras a magia no espelho da realidade.

 Tristemente encurralada na limitação que não te permite exprimir, adormeces

. Voltas ao sonho profundo, onde a magia acontece e rasgas horizontes.

 Perdes-te algures numa montanha perfeita

. Descobres a nascente de água límpida e transparente, procuras felicidade nos traços de um rosto já cansado, mas belo

. O vento balança teus cabelos, entoa um som melodioso, rasga fronteiras com o aroma a jasmim.

A garça que passa, transmite liberdade, inspira-te e és feliz.

 Sonha-te selvagem….

Várias vida

Uma pessoa, várias vidas...

Uma combinação de sentires, de olhares, de sabores, de palavras e de silêncios….

Sorriam e apreciem as pequenas coisas que o mundo vos oferece, 

vivam cada momento,

 acreditem e apaixonem-se pela Vida pois ela acaba sempre por retribuir com um sorriso, mesmo que parecendo atrasada no tempo..

.Enquanto se espera ou se procura, ninguém está a salvo de se magoar mas é esse intervalo que nos ensina tudo aquilo que já sabemos ou iremos aprender...

Haverá momentos em que só pensamos em desistir por isso lutem pelo que desejam como se tudo dependesse disso e nunca esperem para dizer que gostam quando gostam, amanhã é tarde demais..

.Façam-se ouvir mas em troca ouçam também, e saboreiem tanto as palavras como o silêncio...

Amem e não se esqueçam dessa sensação…

Eu, vista por outra pessoa

Maria Clara Falacho Pena Correia. Nasceu em novembro, já o frio espreitava, Filha de Luísa e de José, gente que na terra lutava. Maria Cl...