Nasceu em novembro, já o frio espreitava,
Filha de Luísa e de José, gente que na terra lutava.
Maria Clara, de apelido Pena tem alma de vento,
Cresceu entre o campo e o sonho, em constante movimento.
A escola ficou pesada para a sua pressa de viver,
Entre o irmão que chegava e o tanto que havia para fazer.
No inverno, a agulha tornou-se então o seu destino,
No verão, o ajudar a mãe traçava o seu caminho,
Em cima da albarda, lá ia ela, de cabelos ao vento,
Com um caderno na mão e o mundo no pensamento,
Numa página o vestido, na outra a poesia,
Lendo Amor de Perdição enquanto o sol se punha e nascia.
Aos treze anos, a sua velha máquina de pedal já cantava,
Por vezes o ponto falhava, mas para ajudar as mulheres, ela insistia
No palco com o pai Zé Pena, a arte transbordava,
Pois quem tem o dom na música, tem na alma a alegria.
Casou, foi mãe, deu vida a dois lindos meninos,
nunca deixou que o tempo lhe roubasse os seus miminhos
Pela escrita, pela lente, pela luz da fotografia,
"Maria Clara, a insatisfeita", no silêncio se descobria.
Os filhos cresceram,
Aos estudos, à escola ela decidiu voltar,
Atrás do conhecimento que sempre quis agarrar.
Em 2008, o digital abriu uma nova janela
E no Silêncio da Noite, a blogosfera ficou mais bela.
Colaborou no jornal “Falcão”, no ”Interior” deixou a tinta da sua voz,
provando que o talento e a arte nunca caminham sós.
Dadora de sangue, dadora de tempo, dadora de fé na catequese
Fez do voluntariado a sua mais nobre e singela tese.
Na Liga Contra o Cancro ou na Paróquia a ajudar,
A Clara é o exemplo de quem na vida quer amar.
Soletrando existência e paixão no caminho da natureza
A genuinidade do destino, é, ao nascer, a maior beleza.
"Com pena de saber pouco", confessa com humildade,
Mas quem tanto deu de si, já devia conhecer a verdade,
Seja com a linha, a máquina, ou a caneta na mão,
Maria Clara é a prova de que a arte tem coração.
Das lides do campo ao mundo digital
Maria Clara é mulher triunfal!
Com um beijinho
Ana Fernandes
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