domingo, 25 de janeiro de 2026

Bipolar






BIPOLAR: Um destes dias visitei um blogue amigo, deparei-me com a duvida da sua autora. Tem-se andado a sentir esquisita e como viu uma reportagem sobre a bipolar ficou apreensiva. Aqui deixo o meu testemunho.


Com ………anos e fazendo uma retrospetiva de toda a minha existência, há pontos, mais sensíveis uns que outros. Lembro-me por exemplo da luta que diariamente travo com uma espécie de doença que tem por nome bipolar. É difícil falar dela, porque a luta é mesmo essa tentar esquece-la. Tempos ouve que dependia de uso de medicação, porque juntando a uma depressão, os sintomas são mesmo estúpidos. Hoje, graças a Deus, aprendi a lidar com os sintomas e eu própria já me conheço. Para quem nunca ouviu falar da bipolar muito resumidamente é o seguinte: O doente tem sensações extremas, uma euforia extrema, tem medos extremos, por vezes não existe controlo. Há casos que levam ao suicídio. Não costumo falar disto, mas desconfio que o meu avô paterno se suicidou porque também era bipolar. Tudo me leva a crer isso. Analisei juntamente com o meu neurologista toda a situação. Todo medo duma situação dita normal se transforma numa coisa horrível, até insuportável. O meu avô no dia do seu suicídio era arguido num processo de tribunal, tudo levava a crer que ele era inocente e que seria ilibado, mas não conseguiu aguentar a pressão, matou-se esse mesmo dia de manha.
Ainda tenho a imagem dele deitado em cima da cama depois de ter tomado veneno das batatas. Naquele tempo não havia como diagnosticar, nem a medicação adequada para aliviar as crises.
Digo crises, porque quando se fica de tal forma deprimido só se esta bem isolado, deitado e em silencio. Parece fobia social mas não é.
Há alturas em que todos os problemas são simplificados de tal forma que a felicidade é tanta que parece irreal, e é porque isso que é muito natural em quem tem essa doença.
Há uns anos para cá tentei informar-me para me puder libertar dos químicos, hoje posso dizer que consegui, tomo só de vez em quando um comprimido rosa quando noto que vou precisar e ainda não estou em crise.
O primeiro passo é o conhecimento da doença, dos sintomas e de nós próprios e aí consegue-se ter uma vida normal. Eu costumo dizer que toda esta genica que eu tenho e que só quando paro respiro, me vem da doença. Tal como os momentos de nostalgia que eu transformo em poemas tristes também são uma faceta dela.
Só para rematar este capítulo da vida real, eu, também já tentei o ….., mas acredito que não o voltarei a fazer, pois tenho bases sólidas que me ajudam a manter a sanidade mental limpa. Os meus filhos que são o valor mais precioso para mim.
Também já tive momentos de verdadeira loucura que nos parece a nós, que estamos num momento de embriagues, que passamos por tudo, em todo o lado, sem fazermos um único risco na nossa vida. Descobri que a escrita me ajuda, que muita coisa me ajuda, mas a verdadeira ajuda tem de partir de mim e só de mim.

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