BIPOLAR:
Um destes dias visitei um blogue amigo, deparei-me com a duvida da
sua autora. Tem-se andado a sentir esquisita e como viu uma
reportagem sobre a bipolar ficou apreensiva. Aqui deixo o meu
testemunho.
Com
………anos e fazendo uma retrospetiva de toda a minha existência,
há pontos, mais sensíveis uns que outros. Lembro-me por exemplo da
luta que diariamente travo com uma espécie de doença que tem por
nome bipolar. É difícil falar dela, porque a luta é mesmo essa
tentar esquece-la. Tempos ouve que dependia de uso de medicação,
porque juntando a uma depressão, os sintomas são mesmo estúpidos.
Hoje, graças a Deus, aprendi a lidar com os sintomas e eu própria
já me conheço. Para quem nunca ouviu falar da bipolar muito
resumidamente é o seguinte: O doente tem sensações extremas, uma
euforia extrema, tem medos extremos, por vezes não existe controlo.
Há casos que levam ao suicídio. Não costumo falar disto, mas
desconfio que o meu avô paterno se suicidou porque também era
bipolar. Tudo me leva a crer isso. Analisei juntamente com o meu
neurologista toda a situação. Todo medo duma situação dita normal
se transforma numa coisa horrível, até insuportável. O meu avô no
dia do seu suicídio era arguido num processo de tribunal, tudo
levava a crer que ele era inocente e que seria ilibado, mas não
conseguiu aguentar a pressão, matou-se esse mesmo dia de
manha.
Ainda
tenho a imagem dele deitado em cima da cama depois de ter tomado
veneno das batatas. Naquele tempo não havia como diagnosticar, nem a
medicação adequada para aliviar as crises.
Digo
crises, porque quando se fica de tal forma deprimido só se esta bem
isolado, deitado e em silencio. Parece fobia social mas não é.
Há
alturas em que todos os problemas são simplificados de tal forma que
a felicidade é tanta que parece irreal, e é porque isso que é
muito natural em quem tem essa doença.
Há
uns anos para cá tentei informar-me para me puder libertar dos
químicos, hoje posso dizer que consegui, tomo só de vez em quando
um comprimido rosa quando noto que vou precisar e ainda não estou em
crise.
O
primeiro passo é o conhecimento da doença, dos sintomas e de nós
próprios e aí consegue-se ter uma vida normal. Eu costumo dizer que
toda esta genica que eu tenho e que só quando paro respiro, me vem
da doença. Tal como os momentos de nostalgia que eu transformo em
poemas tristes também são uma faceta dela.
Só
para rematar este capítulo da vida real, eu, também já tentei o
….., mas acredito que não o voltarei a fazer, pois tenho bases
sólidas que me ajudam a manter a sanidade mental limpa. Os meus
filhos que são o valor mais precioso para mim.
Também
já tive momentos de verdadeira loucura que nos parece a nós, que
estamos num momento de embriagues, que passamos por tudo, em todo o
lado, sem fazermos um único risco na nossa vida. Descobri que a
escrita me ajuda, que muita coisa me ajuda, mas a verdadeira ajuda
tem de partir de mim e só de mim.
…
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