quarta-feira, 24 de junho de 2026

Sou

Sou silêncio em dias de revolta
Angústia em dias de tempestade
Sou momentos que perseguem 
Sou dor, raiva e  saudade.

Na dor do peito sinto vazio
Na solidão  desespero
Na madrugada incertezas
Na esperança O que não  quero.

Abstraio me na esperança  que passe
O sentimento que me acolheu
No barulho ouço  o vazio
Do muito que não  é meu.

terça-feira, 16 de junho de 2026

Bagagem

Carregas bagagem pesada no teu pensamento, não  é  qualquer sopro que te derruba, és  feita de fibra, feita de sonhos, feita de vida.
És  carroça  velha com madeiras a rugir, és  barulho na multidão, pensamento do que hade vir.
És  silêncio  na tempestade, magua em dias frios, és  norte mesmo perdida, és  febre alta e arrepios. 
Dona da tua vontade, não  ousas contrariar, o plano há  muito traçado, que começa  a findar.
Levas na bagagem muito, tanto que não  te endireitas, o peso  é  grande e insuportável, de trabalho e obras feitas.
Segue, vai e aguenta, leva contigo a coragem, em breve chegarás, o fim é  uma miragem.

domingo, 14 de junho de 2026

Filho

Amar um filho, é amar alguém  mais que a nós  mesmos, é  sentir que a vida deixa de ser nossa e passa a ser de mais alguém. 
Um filho é o nosso tudo e o nosso nada, é o nosso ponto fraco e o nosso ponto forte. Ter um filho é minimizar a solidão, é encontrar forças  na dor, é viver sem sair do sítio, é sentir que a vida continua.
Faz hoje 35 anos que  tudo mudou em mim, faz hoje 35 anos que o sol tem mais cor e a lua mais fulgor.
Não  se explica o sentimento, não  se assemelha  a nada. Ser mãe  é a maior dádiva  que uma Mulher pode receber.
35 anos depois, parece que foi ontem.
Meu filho Rui, tanto para escrever de ti, mas sei que não  gostas de exposição, não  gostas de fotografias, não  gostas e eu respeito.
Deixo apenas o registo de um dia como tantos outros, bonito.
Obrigada.

quinta-feira, 11 de junho de 2026

..morres

Morres por dentro devagarinho, quando a desilusão  te assola, quando a dor aumenta e a decepção é  constante.
 Morres....
Morres, quando te iludes, quando o encanto da vida esmorece...
Morres na luta constante..
No caminhar deselegante..
Morres na expectativa de uma vida mais leve, mas ninguém se apercebe.
Morres na exclusão  dos sonhos, na bebida de medronhos...
Morres na ilusão  do melhor, do tempo da paz e nada se faz...
Morres de um tudo que é  nada, da vida que afaga a morte e Segues...
Segues moribunda, nesta vida que te afunda sem esperança....
Morres, perdes a esperança e os sonhos de criança...
Melancólica  entregas te à  realidade, com a certeza que não  deixarás  saudade...
Morres...

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Nuvens

Moram em mim as nuvens, aquelas que me assolam, tapam o sol que teima em romper.
Moram em mim para  me trazerem angústia, dor e sobressalto.
Acompanham me na noite escura, nos dias corridos, nas tardes calmas. 
Adormecem às  vezes quando me distraído, mas acordam ao mais pequeno sobressalto.
Moram em mim, teimam em não  me abandonar, são  fiéis, teimam em ficar.
Quero tirar lhe a casa,  fazer delas sem lar, mas são  tão  teimosas, não  me querem abandonar. 
Esta redoma enfeitada  é  pouso na solidão,
Teimam em ficar, embora eu queira que não. 

Moram em mim traiçoeiras, más  do pior que há, acompanham me subtilmente, num abraço  envolvente em dias de vida má 

Dias

Tenho  dias cheios que passam por mim a correr, outros que de  tão  silenciosos são  uma verdadeira tortura.  O silêncio alimenta, alimenta ...