terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Pomba branca

Sempre que uma pomba branca  levanta voo, percebemos que não  somos da terra, não  viemos para ficar, mas ficamos ao voar. 
Sinto uma ligação  estranha  entre as penas brancas e as penas da dor, da saudade, do verbo partir.
 A paz que me aconchega e o lacremejar sem dor, só  saudade e aconchego num colo que me diz presente, num colo que ao partir fica, num colo que me diz segue. 
Que coisa estranha, que sentir onde o partir e o ficar se cruzar no perfeito verbo amar. 
Sei onde a pomba me leva, sei o que me quer dizer, eu deixei crescer essa verdade em mim, por cobardia ou necessidade, hoje sinto que é  verdade. 
Sempre que alguém  parte fica em nós, nunca nos deixa sós.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

...a casa dos avós

...a casa dos avós foi colo, foi dor e é saudade.
Foi tanto que guardamos para a vida o chão, as portas e janelas, lembramos os pratos velhos de barro riscado, as colheres de lata e as tejelas.
E aquele caldo de grão, com sabor a carne da cabeca e couve ripada?
O bucho do porco na matacina?
Ai a saudade da casa dos avós!!!
Chovia e a velha telha pingava, o alguidar guardava a água para acrescentar a panela do porco, sim, porque a mesma fogueira fazia comer para todos.
O pechorro de barro aquecia o vinho no inverno frio, ajudava a aquecer a alma, a alma e as dores. 
Anoitecia e o vento zumbia, la longe na serra o ribeiro de água delineando seus trilhos desaguava no lameiro produtivo.
No escuro Inverno, a luz da candeia apaga se, era o vento vindo do norte anunciando a chegada da madrugada e com ela o cieiro cortante. 
Abençoado lenço, era de merino negro, pontas desfiadas com o uso. Era o adorno mais bonito das memórias da avó. Tanta classe ao costurar as combinações de linho, pelas suas mãos fiado, pelas suas mãos bordado.
 A casa dos avós foi escola, foi sonho ilusão. 
No vazio, no silêncio construí castelos, desenhei rabiscos e aprendi o significado da palavra saudade e colo.

Vida

Entre a dor e a esperança 
O brilho e o temporal
Passo pela vida
Com a minha forma única, sem igual.

Aprendi a viver com pouco
Silenciando na minha quietude
Morrendo devagar 
Neste crepúsculo da minha juventude

Embalo me com músicas 
Escrevendo versos tão reais
Sonho com palavras, descubro vidas
Nas ruelas, transversais. 

E no escuro que me escondo
Encontros as reticências 
Perto duma qualquer virgula 
Tudo em causa, as aparências. 

Depois o sol vem
Espreita na fresta duma janela
 As flores florescem
E a estrada deixou de ser ruela.

Dias, caramba!
E tão difíceis de suportar
A solidão aumenta
Já bem eu me consigo aturar

 

O sol espreita por entre as frestas de um roseiral, raios que brilham em dias de temporal…

A ausência de beleza efémera de luzes que o palco pede, dói.

 Ho cenas intemporais dum sonho que a vida concebe.

 (…) Desce o pano, apaga o fulgor, três pancadinhas vida ao redor…

Cristais que brilham, 

Mulher Princesa, Joias raras entregam-te sua beleza.

 Seres mais que perfeitos, na escarpa do teu percurso, pensamentos diversos de um diadema ofusco.

Hoje, um dia como tantos outros, vêm há memoria vidas vividas, momentos únicos partilhados, os especiais apenas guardados num baú de madeira maciça com segredo Chinês.

 Ho tradição de bom Português!

 Sótãos, catacumbas, velhos sobrados, apenas guardados.

Um trinar de uma guitarra, embala a nostalgia, o som do silêncio acolhe, o poema, a melodia…

 Parabéns a ti Mulher, onde as rugas brotam com vaidade, um sorriso engrandece um ser, que merece eterna felicidade. Apaga a tristeza, rega a paixão, vive a beleza do amor, a imensidão!

Um ser entre muitos, mas apenas tu.. 

 acalma os temporais, ou levantas vendavais

. Sorris na tristeza, rezas na dor do pobre sofredor.

 Então é assim que tu és, um ser entre muitos, mas apenas tu…

não dizes adeus quando tens que lutar, não enxugas as lágrimas quando te apetece chorar.

 És diferente, há uma visão e uma chama em ti, a tua jornada é a imortalidade em busca de felicidade.

 A montanha é alta, o rio longo e fundo, mas tu Mulher, moves montanhas, bracejas águas, chegas ao fim do mundo, não te atreves a desistir, porque o desafio é o teu mundo.

 

Quadras leves

 

Apenas queria dar-te uma flor

Acariciar o teu sorriso

Sentir o teu perfume

Fechar os olhos, encontrar o paraíso.

 

Apenas descobrir no teu olhar a magia

Envolver-te em desejos

Matar a utopia

Saborear os teus beijos.

 

Apenas ternura partilhada

Num sentimento que é de dois

Numa cumplicidade anunciada

Um adeus para depois.

 

Apenas um querer

Tão simples quanto isso

Mas nem sempre o querer é poder

E o desejo não é submisso.

Castelo

 

Rodeada de muros robustos, encontrei-me no aconchego, encontrei-te protegido, acredito, que mesmo assim perdido.

 Por entre rochas e arvoredos, senti a tua ausência, no recanto de uma prisão, no mais belo dos locais, onde vive a minha paixão.

Acariciei o pensamento, por teus braços envolvida, reconfortei o alento, em sonhar perdida no tempo da nossa distância de vida.

Confessar-te esta magia, é coragem que me falta podes crer, no abraço que te envolvia, no beijo que pretendia, em meus braços te envolver.

Desnudar a tua timidez, num olhar terno e profundo, abandonar a sensatez, perdermo-nos talvez…esquecermos o mundo.

Desejo…desejo muito…descobrir o porquê do teu” não”, consegues levar-me ao fundo, preciso tanto da tua mão!

Acaricia-me em teu silêncio, aconchega-me com tua ternura, seremos só tu e eu, a viver esta aventura.

Sonha…deixa-te levar…embarca neste comboio que é o meu, ficas na próxima estação, mas antes da viagem terminar, concluirás que valeu…

Tudo e nada te dou, pois não tenho que te ofertar, apenas dois braços, cumplicidade e o perfeito inverso do verbo odiar.

 Este tão pouco é tanto, para quem nada tem, apenas nos lábios um beijo e um sorriso, que te convidam: Fica comigo…vem!


Tua sem ser



Fecho os olhos rasos de água, purificados pela dor que me trespassa.

Ouço as tuas palavras que me alimentam a alma, que me fazem levitar e querer viver mais para te sentir. Sinto o teu abraço, aquele abraço que devia ser meu, que me aconchega e faz sentir em casa, mas, há sempre um mas….

Rapidamente  ouçote dizer não, inventas palavras, desculpas como se aquilo que eu estava a sentir fosse o maior dos males. 

Ouvi-te sem te ouvir, olhei-te e mal te vi.

 Eu só queria parar o tempo no nosso abraço, só te queria tocar sem reservas, mas não podia.

 Tu não querias.

 Doeu.

  Dói sem reservas, sem aviso ou piedade.

 Eu não devia sentir-me assim, já não sou jovem e sei lidar com ausências.

 Sim, as tais que não me alimentam, as tais que me fizeram quem sou hoje, mas eu ousei sentir novamente, ousei fechar os olhos e imaginar-nos a descobrir a essência da Paixão.

. Aqueles beijos que trocamos na nossa rua escura, que guardei e sempre comparei, foram e serão o meu porto seguro, os que eu quero para me alimentar.

Fui traída pelo destino mais uma vez, porque sim, porque me iludi, porque eu acho que só devemos ser fiéis a nós próprios, às nossas vontades e sentimentos, porque a vida é nossa e as transversais são só nossas, tao nossas como a pele e o ar que respiramos.... Mas eu não estou certa pensas, porque as pessoas a vida e os astros não concordam com o que é só meu…porra, eu só te queria sentir….

Eu não te queria roubar a vida, eu não me queria matar numa reta sem travões. 

Só queria olhar para o lado e abraçar te, sentir a tua respiração ofegante junto do meu pescoço e bem devagarinho perder-me em ti e ousar sentir.

Coloquei a chaleira a ferver, fiz o chá que aprecio e sentada neste cadeirão deslizo os dedos pelo teclado enquanto revejo o momento, e lentamente te perco….

Sou nada nesta vida, faço tudo, invento horas, mas o que realmente importa e não consigo ter….

Abraço-te no silencio da noite, num Adeus profundo, porque a vida não nos permite um até já.

 Entrego-te o meu sentir selado com lagrimas salgadas, para guardares no livro da memória, e quando eu já não estiver ca, terás sempre a certeza de que eu fui tua sem ser……

 

Perdida

 



Perco-me nos buracos que começaram pequenos,
Foram aumentando e por dentro estilhaçando,
O que fui, o que sou, o que não serei...

Portas mal fechadas, fechaduras forçadas,
Espaços vazios e inócuos, fugazes barulhos
Que só eu sei ouvir... das portas que não queria abrir...

Percorro os caminhos descalça de sonhos,
Os olhos turvos e cabisbaixos, desprovida de tudo...
Sento-me no chão e procuro onde deixei o que era,
O que fui, o que sou, o que serei...

No silêncio acutilante ouço o meu eco ressoar.
As lágrimas caem salgadas e sozinhas,
Travei batalhas que não as minhas,
As perguntas amontoadas num canto sem resposta
Lembram-me que é chegada a hora,
De desistir... de me deixar ir...

O que fui? O que sou? O que serei?
Apenas de uma coisa eu sei...
Perdi as cores com as quais um dia me pintei... 


sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Temporal

As pedras choram,  vertem lágrimas,
 Assolam o País os temporais 
o mundo está  um caos.

Descontente o universo alerta.
Não  estamos no caminho correto 
A nossa hora está  certa.

Dilúvio, tufões  e tremores de terra 
Neve, chuva  e vendavais
Tudo está  presente, tudo são  sinais.

A fragilidade humana é posta a prova
Mas há  sempre alguns que ousam desafiar
A força  da natureza e com ela brincar.

Somos tão  nada
Somos tão coisa nenhuma
Somos beira de estrada 
Qual raiz de corcuma.

A angustia e dor consome nos
Somos impotentes com o acontecido
Não  há  quem não  tenha
Nesta tempestade um amigo.

 A preocupação  mantém  se
O mau tempo vai continuar
Sabe Deus o que pode acontecer
Só  descansare mos quando terminar .

As pedras choram
Transbordam de angústia gritante
Temos tanto nesta vida
Que podemos perder num instante. 

30 janeiro

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Chove

O Céu  chora
Desfaz se em lágrimas cristalinas  
A intensidade é tanta que nos deixa apreensivos
Lembramos os perigos.
Repensamos a vida, tantas vezes sofrida
E percebemos que somos mortais
Que nada podemos fazer contra a naturesa
Que tantas vezes nos apanha de surpresa.

Hoje a chuva cai
Parece um remoinho
A bravura sobressai 
Na enchente do caminho.

Não  deixa margem para dúvidas 
Os terrenos alagados
O temporal é feio
Os corações  estão  desassussegados. 

Janeiro está  a terminar
Já  nos brindou com um pouco de tudo
Fevereiro  vem a passos largos
Com ele trás  o entrudo. 

Menos dias para versos
Esperemos que o sol espreite
Com ele chegue o cuco
Com o seu canto nos deleita .

Pomba branca

Sempre que uma pomba branca  levanta voo, percebemos que não  somos da terra, não  viemos para ficar, mas ficamos ao voar.  Sinto uma ligaçã...