domingo, 22 de março de 2026

Imortalidade

A sede da imortalidade passa por nós 
Vemos velhos  a correr
Gente sem força 
Mas com vontade de viver.

É a obra para fazer
O projecto  para terminar
É a falta de tempo
Até  falta tempo para amar.

Corre, corre porque há  muito para fazer
Percebo que aos 80 ainda se pensa vencer.

Não  se pensa em arrumar gavetas
Não  se pensa em a vida organizar
Não  se pensa criar memórias 
Não  se pensa que a vida está  a findar.

Quero apenas deixar retratos
Palavras escritas nas horas de solidão 
Não  consigo fazer melhor
Apenas  deixar meu coração. 

Não  me preocupo viver muito tempo
Essa foi uma guerra que não  venci
Queria ter tempo neste tempo
Viver o que não  vivi.

Sonhei diferente a minha própria  imortalidade
Era ser dona de mim
Ser feliz de verdade.

Deixar memórias  vividas
Partilhadas, felizes e aconchegantes 
Mas nem sempre consegui
Sinto que apenas foram instantes.

Guardai-me, não  como louca
Mas como sedenta de viver
A tal insatisfeita...
Que tão  mais queria ter.

Lede-me nas entrelinhas
No meio delas digo tanto
Ao escreve- las são  só  minhas
Com elas partilho o meu pranto.

Não  sou imortal
Não  tenho essa pertençao 
Tenho plena consciência 
Que deixo muito da minha solidão. 





Cansada

Levam-te as horas da noite, vais e o caminho já é curto. Os dias já  não  te chegam para o tanto que te falta fazer. Levam-te a vida, regressa a certeza, que o muito poderá  ser tão  pouco. Segues os sonhos utópicos, essa é  a realidade. Levaram-te a vida, caminhas -te no cume, a luta foi feroz. Resta- te pouco, apenas lembranças  das lutas, das horas a correr, dos sonhos a passar e hoje?
Hoje levam- te os minutos, as forças  já  foram, os passos são  lentos e a garra esmorece. 
És  a sombra da árvore  robusta, enrugada  e estraçalhada, em mil pedaços  muída. 
Morres ao ir, morres ao ficar. 
Ai a força....

Borboletas

Se silenciosa e misteriosa a minha mão  toca se na tua...
Ardiam poemas na Alma...
Sentirias  a chama das palavras ardentes no colo do teu pensamento...
Seriam silêncios mudos e frases feitas na paixão  dos minutos.
A primavera nascia nas sílabas 
Os abraços  seriam aconchego para o delírio 

Se subtil a minha boca te rouba se um beijo...
As borboletas seriam azuis e voavam num bolero de Ravel..
Sentias o fogo que me aquece...

Cresceram sentimentos lascivos nos olhares demorados...
E nos corpos a união de um desejo mimado

sábado, 21 de março de 2026

É possível

É possivel perder me em ti
Sentir-te quando não  estás 
Saborear te nas palavras
Sim é possivel
Sentir um arrepio e chegar à  lua quando me provocas
Sentir te...dar te...este ter-te sem te ter num tempo que não  é nosso
Num sonho improvável 
Nesta loucura do desejo
Sim, é possivel que o tempo não  pare
Mas dentro desse tempo a correr
Quero-te
Sim, é possível  sonhar -te hoje

sexta-feira, 20 de março de 2026

Primavera

Dizem que a primavera chegou, com ela era suposto chegar a alegria, a vontade de viver e de recomeçar  coisas novas.
Está  frio, um dia triste e ainda não  é  hoje que o humor  muda.
Cansada, do tempo, dos afazeres, das responsabilidades....
Cansada, mas com a esperança  em novos dias...

quinta-feira, 19 de março de 2026

Dia do pai

19 de Março dia de São José 
O Céu  está  em festa o meu pai era alegria 
Como tal no dia de hoje
Há  festa todo dia.

No Céu, sei que olha por nós 
Sempre foi muito presente
Cuida de cada um 
Mesmo estando ausente.

O coração  fala mais alto
Nestes dias sempre emotivos
Do meu pai tenho saudades
Era o meu melhor amigo.

Em homenagem a ele
Contínuo  a versejar
Sai do coração 
Sei que é  ele a apoiar.

Recordo a sua harmónica 
Sempre fiel e afinada 
Com seu sopro certeiro 
Junto dele a malta estava sempre animada.

E as suas anedotas?
Não  sei onde as aprendia
Mas com qualquer situação  da vida
Ele transformava em alegria. 

Pai Zé  Pena, Avó  sempre presente e orgulhoso
Deixou um legado de alegria
Procuramos honra- lo em todas as horas
Será  sempre companheiro no dia a dia.

A ausência  não  é  esquecimento
Continua vivo nos seus movimentos 
Lembraremos sempre dele
É  dono dos nossos pensamentos.

Fica a graça, 
a anedota picante
As saudades infinitas
Música a cada instante. 

Era a sua essência 
Que o tornava especial
Gostava de vir à  feira
Dizia ser o seu dia afinal.

São  José, o pai de jesus
José  Pena dos seus dois filhos 
Apenas eu e meu irmão 
Que a ele criámos  atilhos.

A despedida aconteceu num 23 de maio
Faz 4 anos este ano
Parece que foi ontem
Mas será  lembrado todos os dias do ano.

Foi sempre o meu pilar
A minha raiz mais segura
Mesmo havendo tempestades
Sabia que estava segura.

Hoje sinto na pomba
A leveza  do seu ser
Contínuo  a acreditar
Que ele me continua a ver.







quarta-feira, 18 de março de 2026

Folha em branco

Serei apenas uma folha em branco de uma história que não  escrevi...
Serei apenas simples e singela pena no zumbir do vento...
Serei apenas desejo e carícia do pensamento...
Serei apenas eu comigo para ti....

terça-feira, 17 de março de 2026

Cor Rubra

Esta vontade de escrever os parágrafos mais belos de um livro de cor rubra acompanha me, mói-me, tenta-me, mas fico me em páginas  brancas de papel reciclando escrito a tinta permanente.
Sabes aquela frase bonita?
Fica só  para mim.
Aquele pergaminho, rasguei-o.
Aquele beijo que seria a porta de entrada de uma historia bonita, guardei-o.
Fechei com trancas as letras, guardei num baú  chinês  as palavras que seriam testemunhas, mas decidi, decidi deixar a cor rubra e singir- me ao nude horrendo.
Decidi....
A vida é  feita de decisões, com elas desenrolas as palavras, dás  cor ao arco-iris. 
A tinta permanente seca, o papel reciclado passou de moda, embora eu aprecie o amarrotado rústico.
Um dia....
Um dia serei a coragem...
Depois, depois o rubro tem mais cor...

domingo, 15 de março de 2026

Sem força

Hoje estou sem força, permiti me descansar, tentar dormir, fechar os olhos e não  existir.
É domingo, dia de desanuviar, mas um sentimento doloroso estúpido não  me dá  forças  para continuar.
Não  quero ser, não  quero pensar, não  quero abrir os olhos, não  quero jardinar.
Preciso, há  muito que não  tinha este sentimento de impotência, preciso parar, pensar na minha existência. 
Serei descartável, substituível talvez, mas nunca por alguém superior, mais oportunista talvez.
As putas das dúvidas, que em horas ímpares me controlam, as traiçoeiras  inviezadas 
Que em dias maus me assolam.

Sou mais eu, mas estou desgastada, estou triste, cansada.

Sou teimosa, independente e infeliz, mas no regresso dou a volta, disso fala a vida que fiz.

Hoje só  quero fechar os olhos, nem as flores vonsigo cuidar, nem o botão  da camélia  me consegue alegrar.

Entrego me, vou, sou solidão, amanhã  o dia amanhece e com ele nova pressão. 

Agora caiem duas lágrimas 
Tentam limpar a alma
Amanhã  tudo melhora
Certamente estarei mais calma.

sábado, 14 de março de 2026

Um dia vou

Hoje não  me apetece escrever, tão  pouco viver.
Hoje é o dia que se segue  a um dia estranho, se por um lado compensador gratificante devido ao trabalho, acaba por culminar num dia de sentimentos mistos, revolta, tristeza, angústia, mas sobretudo surpresa. A vida é assim. A vida prega nos partidas, mas nem sempre sabemos como encaixar as novidades trazidas com as vidas vividas. 
Como se absorve?
Como reagir?
Que atitude tomar?
Um balançar  de sentimentos numa vida cansada, numa vida entregue por inteiro, restando pouco para mim.

Para mim....
Eu que devia  ser a primeira pessoa da minha propria existência, que devia saber cuidar de mim, que devia dar um pontapé  e seguir....

Eu....
Eu não  sei fazer isso
Eu não  aprendi a priorizar me 
Eu não  aprendi a não  me preocupar
Eu não  aprendi a não  cumprir 

Sou....
Sou réstia  de uma vida
Sou dor constante
Sou empregada
Sou muito de coisa nenhuma

E perco me...
Perco-me  na vontade de partir
Perco me na ausência  de esperança 
Perco me nas noite longas
Perco me no trabalho

E um dia vou....
Vou e terei paz finalmente
Vou e deixarei saudades em alguém 
Vou e deixarei memórias  escritas
Vou e será  a vontade realizada de alguém 
Vou e lá  longe não  sei se voltarei a ver o que ficou
Vou e na imensidão  do universo os astros estão  alinhados e encontro a paz
Vou e não  volto
Vou, porque a vida é assim
Vou porque não  somos imortais
Vou porque a morte anda comigo.......

Imortalidade

A sede da imortalidade passa por nós  Vemos velhos  a correr Gente sem força  Mas com vontade de viver. É a obra para fazer O projecto  para...