quinta-feira, 7 de maio de 2026

Entrego me simplesmente

Estou cansada, cansada da vida de viver, de sofrer.
Cansada da expectativa, do sonhos que busco.
Cansada da lua do sol do lusco fusco. 
Cansada de mim, da arte, de dormir, de acordar.
Apenas cansada, não  consigo evitar.
Fecho os olhos, procuro socorro, encontro turbulências  e a viver morro.

Sou nada, sou ninguém 
Busco alento em quem o não  tem.

Morro em mim
Acordo, vivo acordada
Apenas sei que não  sou nada.

quarta-feira, 6 de maio de 2026

Partir

Sinto uma angústia profunda
Que sai do peito e fere a Alma
Sinto uma tristeza que dói
Em dia de sol e tarde calma.

Doi- me, doi- me a dor que não  controlo
Doi- me a tristeza que sinto
A dor que não  aguento 
Sinto a vida num labirinto.

Angústias que são  só  minhas
Que me ferem calma e lentamente
Esta dor que me sufoca
Não  sou parecida com gente.

Inútil, nesta vida finda
Sentimento que não  sei controlar
Perco- me sozinha
Nos dias a trabalhar.

A solidão  mata
O aconchego não  chega
Eu sigo, deixo me ir
De partir não  tenho medo.

O sol não  nasce 
em dias de primavera
É  Maio, as estrelas abandonaram- me
Viver é quimera.

Quero descansar
Desta vida longa
Gostava de partilhar
Mas a solidão  me assombra.

terça-feira, 5 de maio de 2026

Ai maio!!!

Chegou maio, o maio que não  me agrada
O maio que para mim já foi muito
Hoje não  é  nada.
Maio cheio de memórias 
De vida que me abandonou
Maio das rosas
Do botão  que não  desabrochar.
Corri em maio
Andei e superei
Fugi de dores
Com dores acordei.
Maio de Fátima 
De festas e Mãe 
Maio de angústias 
De ausências também. 
Maio, maio maio...
És  o mês  que perdi o chão 
És  maio das meias
Onde deixei o coração. 
Muito o vento levou
Numa madrugada fria
Nem a oração  rotineira curou
Neste mês  de Maria.
Canta o cuco, a rola também 
Anunciam primaveras
Com eles novas esperanças 
De sonhos e quimeras.
Maio das flores
Dos jardins encantados
Maio da solidão 
Com muita gente rodeados.

Ai maio...
podias ser suprimido 
Abandonadas o calendário 
 Voltavas mais amigo.





Horas más

Sinto me perdida nos meus pensamentos
Em nada simplifico a minha existência 
Valorizo de mais o pouco
Sobram me dores nesta minha impotência. 

Só,  Só, perdida em mim
Em modo de carapaça 
Em modo de burro de carga
Dor que aguento e não  passa.

É tarde, os sonhos vão  Morrendo
A vida vai passando
Os dias não são  leves 
Mas a sorrir vou aguentado.

Mato me devagar
Deixo me apenas ir
Aprendi a morrer
Num dia anunciado ela hade vir.

Em chama ardente 
Em dias que corrói
A vida levar-me 
A vida me destrói.

domingo, 3 de maio de 2026

O pouco é tanto

Em dias assinalados
Os tais que não  aprecio
Penso na vida
Nas memória  que tenho e nas que eu crio.

Singelas as importantes
Sem valor comercial
Apenas o existir 
São  as que mais valorizo afinal.

Basta pouco
Para muito sentir
Assim sou eu
Multiplicar  para dividir.

Na arte do silêncio 
Ter asas para cuidar
No silêncio da noite
Orações  para rezar.


quinta-feira, 30 de abril de 2026

Abril

Abril chega ao fim
Novo mês  se espera
Mas não  podemos esquecer
Este mês  de Primavera.

Abril fado
Canções  e revolução 
Abril dos poetas
Das letras, de paixão. 

Abril de lutas
Vitórias, conquistas
Guitarras, serões 
Vozes e artistas.

Abril das mulheres
De lutas de Guerreiras
De Vitórias, de cravo na mão 
Na  fila sempre as primeiras.

Abri de memórias 
Que nunca devemos esquecer
Venceu a democracia
Nela queremos continuar a vive.

Abril de conquistas
Fins, recomeços e acreditar
Abril do 25
Que nos lembra de quem continua a lutar.

Abril não  foi utopia
Foi luta vencida
Foi cravo na mão 
De uma geração  oprimida.

Abril termina hoje
Devemos sempre sempre lembrar
Devemos ouvir a voz
De quem o quer honrar.

Abril  dos poetas
Para quem foi inspiração 
Abril do trinar
Do embalar a canção. 

Abril volta para o ano
Será  de novo lembrado
Terá  serões  e saraus
Poetas, artistas e fado.



terça-feira, 21 de abril de 2026

Temporal

No zumbir  do vento
Ouço  melodias harmoniosas 
Sinto a alma a palpitar
Sinto o perfume das rosas.

Lá  longe o céu  está  nublado
Anuncia a tempestade
Ao cair das primeiras chuvas
Com ela sai a saudade.

A janela continua a bater
Anuncia um tempo instável 
A guerra interior acompanha-a 
Nesta tarde indomável 


sexta-feira, 17 de abril de 2026

As rugas

As rugas...
As rugas que nos moldam, que mostram a nossa idade, são  símbolos  de vida, são  muito, são  verdade.
As rugas...
As que te deixam feliz
Te dizem " menina já te resta pouquexinho"
Com elas conscencializas te
Esforças te mais um bocadinho. 
As rugas...
Símbolos  de verdade
Marcas da vida
Amor e saudade.
As rugas.....


É Primavera

Sinto no cheiro das rosas a vida
O palpitar do coração 
Sinto a imensidão  vivida
No canto dos passarinhos o mundo na mão. 

Sabe a mel o agridoce do tempero
Sal de um molho proibido
Amoras silvestres num qualquer bardo
Paisagem preferida do próximo trilho.

Sons  e cheiros da vida
Cheia de sonhos e recheada
De quem a precisa bem preenchida 
De quem a sonha sempre animada.

E é  Primavera na Beira
No fim de mundo para tantos
Dei-lhe a minha vida inteira
Fiz do sol e do gelo meus mantos.


terça-feira, 14 de abril de 2026

Escrevo- te

Hoje escrevo- te minha vida
Porque sinto- te de partida
Sabes- me a saudades
De toda a vida vivida.

Queria -te mais
Sonhei- te sempre preenchida
Vivi-te com dores
Andei tão  perdida.

Escrevo-te sobre ausências 
Das tantas que acabaram por me moldar
Escrevo- te na despedida
Perto da hora de voltar.

Vivi-te sofrida,
Com riso no rosto 
Não  partilhei contida
Todo e qualquer desgosto.

Escrevo-te ...
Vou- te deixando aos poucos
Esta vida onde não  me encaixo
Esta vida de loucos.

Deixo- te flores
Violetas talvez
São  símbolo  do adeus
 De um livro que li certa vez.

A tinta está  acabar
Os papéis vou rasgando
A música já não  toca
Já  não  danço  tango.

E partindo vou
Mas deixo de mim e vou  ficando
Ficam as memórias escritas
Folhas rasgadas vou guardando.

Vida valiosa
Que não  soube aproveitar
Perdi me  em pensamento
E dias e dias a trabalhar.

Escrevo te este adeus
Consciente  da minha vulnerabilidade 
Há  lutas que não  venci
Esta é a minha realidade.
A luz da vela faz me lembrar
A ténue imagem do passado
 A nostalgia assola me
Vive comigo lado a lado.

Aromas, cores e cheiros
Foram meu chão, minha razão 
Foram inspiração  para mim
Nas horas de solidão. 

Escrevo- te num Adeus em silêncio 
Preciso arrumar gavetas cheias
 Sinto o palpitar nas entranhas
Sinto sangue nas veias.









Entrego me simplesmente

Estou cansada, cansada da vida de viver, de sofrer. Cansada da expectativa, do sonhos que busco. Cansada da lua do sol do lusco fusco.  Cans...