segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

...dor

No fim do dia, no inicio da noite a garra adormece e a realidade aparece.  
Sou simples,
  singela, 
qual toque de aguarela. 
Apenas fragil, 
fraca, 
dorida e adormecida.
Sou tanto,
 num tão  pouco que me encontro, 
na morte simples  da garra que já não  tenho, neste corpo que estranho.
As fragilidades cortantes que me limitam,
 a certeza que o término está  a chegar, 
realidades de instantes, 
um sonho que foi,
 verbo adiar.
E volto eu ao meu mundo real
Ao que fui afinal.
Insatisfeita já  se sabe
Temporal, com toda a certeza.
Lágrima cortante, 
tantas vezes tristeza.
Fui riso fácil com choro no peito
Madrugada dorida, 
tantas vezes perdida 
Cabelos ao vento, 
vida difícil, 
difícil  temperamento.
Olho ao longe, 
e a dor afinca
A marca ficou,
 nunca me abandonou.
Já  não  tenho lágrimas 
não  sei chorar
Sei que não  é  fácil 
Ter que me abandonar. 
As entranhas estão  doentes
Não  há  osso que esteja saudável 
Percebi finalmente 
De nada vale ser amável. 
A revolta é aconchego
Serve de alento, conforto,
Abandono o medo
Neste corpo morto

Eterno

 


Vivemos com pouca coisa

Um instante cheio de intensidade

Um pouco do muito

E de repente transformamos a nossa vida

Unidos somos a junção

Carne e Alma

Não há medos

Perfeito

Eterno

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Camélias brancas

Camélia brancas

O pêndulo do relógio de parede ouve se ao longe ao cair do crepúsculo.
Chegaste, trazias na mão um ramo de camélias brancas, símbolo da pureza.
O teu olhar puro e meigo mostrava o amor que sentias .
O brilho trazia intensidade na carícia das flores.
E era tu o sonho. 
Sabes, o brilho do teu encanto, da tua presença já me dava tanto!!
...e o pêndulo sonoriza o momento.
Envolves me nos braços, subtilmente coloco as flores numa jarra de cristal antigo.
Não te peço nada, apenas camélias brancas nos Fevereiros da vida.
O teu abraço que envolve a lucidez de quem quer sentir.
As camélias são as minhas flores preferidas.
Com elas vêm as manhãs rubras.
As tardes de cores quentes, num silêncio só quebrado pelo pêndulo do velho relógio.

Não chores

Não  fiques triste se a lágrima rola rosto a baixo.
É  humano sentir saudade, viver é suportar a dor, viver é solidão. 
Não  esperes nada, nem um toque, uma mensagem que nunca ha- de chegar.
Quando o sol voltar espreita a luz, aprecia o nascer e o por luminoso, as cores que acalentam.
Uma garça  que passa observa te, é Deus que te aconchega.
Lembra te, às  vezes até  Deus se sente só  e vem ver te. 
As andorinhas passam em bando, migram para lugar nenhum, ficam no aconchego do beiral  e tu choras.
As águas  do riacho correm, fazem melodias ao bater na rocha, e a lágrima cai...
Tudo ao redor quaduna e tu és  humano.
Choras...
Gritas de solidão, na alma que fica em ti e tu partes riacho a baixo com a lágrima que partiu.
O toque da torre da Igreja ressoa ao longe, a solidão  que sente é companhia de quem liberta a solidão  nas lágrimas  que seguem.
Não  chores...

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Desistes

Há dias que desistes
Desiste de ti e de tudo
Desistes do que te faz mal e não te leva a lado nenhum
Sais do mundo real, aquele que fere, marca e faz doer 
Desistes de querer continuar a resolver, a justificar, a te preocupar
Segues, ergues a cabeça e abstrais te não interessa, do que magoa
Segues, não olhas para trás, não vês nem queres ver.
O mundo não é mau, as pessoas sim, a malvadez instalou se nas entradas dos seres maleficos, aziados e mal formados.
..e tu desistes...
Desistes de todo e qualquer contacto com o que não te acrescenta.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Vá, mas não se perca de si
Não mude a sua essência, para agradar a outras pessoas.
Vá, mas viva, capte a cor, o cheiro e o sabor.
Siga com os pés no chão, com a verdade na Alma e a vontade de partilhar.
Vá, seja luz, presença e riso. 
Siga em frente, sem deixar de olhar para trás. 
Seja sempre o seu ' eu' mais verdadeiro e deixe os silêncios partilhar momentos consigo, os sons serem as bandas sonoras da sua existência.
Siga mesmo que não parta, deixe de si mesmo indo embora.

Maria Clara Pena 

wwwnosilenciodanoite.blogspot.com

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Um Anjo...

 


Como um ser que se pressupõe habitar no céu...

de grande bondade, pureza e simplicidade !

Um carácter que se distingue entre os outros seres da sua espécie, a sua beleza é delicada...

O seu brilho é imenso...há tantos por aí...a maioria tem asas!

Não sei porquê, andam sempre dois a dois, aos pares...e de mão dada. 


Outros não, deixam as asas em casa, 

ninguém as vê, não é preciso...não faz falta ! 

O amor sempre os descobre, 

ou os imagina...também os transforma...

E tudo aquilo que não tem asas passa a ter, 

Se não voa passa a voar...


Hoje vesti me de branco, 

queria muito parecer um Anjo...

queria voar...tive pena das minhas asas....


Deixei-as na Lua e não as posso ir buscar...

Levita

 




Lavo a alma com tempero

Deixo escorrer a solidão

Abraço me em perfume escorregadio

Alimento o corpo e o coração


Preciso sentir o perfume

Embalar me no lenço da essência

Fechar os olhos,

Percorrer o trilho das arrestas da demência

 

Lavo a alma e encontro alimento,

Perco me nas nuvens embriagada

Nas estrelas cintilantes

Na noite bela, fria e estrelada

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

No campo

 (Fotografia João  Condesso)



Dizem meus olhos,

Que bonito acordar…

Ver os flocos da neve

Felizes a bailar.


A brancura sem igual,

O cheiro da natureza,

A neve cai no jardim

É o encanto da beleza.


São momentos sem igual,

Vividos simplesmente,

Cada um, como nunca mais,

Mais uma entre tanta gente.


O aroma silvestre

Que paira no ar

Só consegue sentir

Quem souber respirar.


Ser Beirão é entender:

O cantar dos passarinhos,

O som da tempestade,

O termos tempo para estarmos sozinhos.


Com os flocos a cair,

Lentamente e sem pressão,

Revemos as imagens,

Que nos fazem bem ao coração.


Gélida a tempestade, convida ao aconchego,

Um sonho, um abraço, uma canção

O crepitar da chama que incendeia

Uma caneca de chá junto a lareira, não e ilusão.


QUANDO EU MORRE

 




Quando eu morrer e deres por falta de mim

Procura-me numa flor de canteiro

Andarei perdida numa manha de nevoeiro


Quando eu morrer

e o meu cheiro desaparecer

Procura me numa folha em branco

Num rabisco de tela ao amanhecer


Estarei saudosa, numa transversal de viela

Invade a minha mente profana

Com óleo num pincel, chama por mim

e deita os sonhos na minha cama.


Chora por mim sem tristeza,

Acalma a angustia profunda

Eu estarei bem na minha morte imunda.


Quando eu morrer serei paz e tormento,

Mas serei sobretudo alento

Quando finalmente eu me for

Termina a dor

Olharei para a morte e em paz seguirei…

Finalmente me abandonei


...dor

No fim do dia, no inicio da noite a garra adormece e a realidade aparece.   Sou simples,   singela,  qual toque de aguarela.  Apenas fragil,...