Porque sinto- te de partida
Sabes- me a saudades
De toda a vida vivida.
Queria -te mais
Sonhei- te sempre preenchida
Vivi-te com dores
Andei tão perdida.
Escrevo-te sobre ausências
Das tantas que acabaram por me moldar
Escrevo- te na despedida
Perto da hora de voltar.
Vivi-te sofrida,
Com riso no rosto
Não partilhei contida
Todo e qualquer desgosto.
Escrevo-te ...
Vou- te deixando aos poucos
Esta vida onde não me encaixo
Esta vida de loucos.
Deixo- te flores
Violetas talvez
São símbolo do adeus
De um livro que li certa vez.
A tinta está acabar
Os papéis vou rasgando
A música já não toca
Já não danço tango.
E partindo vou
Mas deixo de mim e vou ficando
Ficam as memórias escritas
Folhas rasgadas vou guardando.
Vida valiosa
Que não soube aproveitar
Perdi me em pensamento
E dias e dias a trabalhar.
Escrevo te este adeus
Consciente da minha vulnerabilidade
Há lutas que não venci
A luz da vela faz me lembrar
A ténue imagem do passado
A nostalgia assola me
Vive comigo lado a lado.
Aromas, cores e cheiros
Foram meu chão, minha razão
Foram inspiração para mim
Nas horas de solidão.
Escrevo- te num Adeus em silêncio
Preciso arrumar gavetas cheias
Sinto o palpitar nas entranhas
Sinto sangue nas veias.