quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Outono da Rosa

Neste Outono da vida, onde a rosa teima em sobreviver. Vai perdendo o brilho com o fresco da geada, vai perdendo o fulgor com as madrugadas Frias, vai perdendo o medo de uma morte anunciada. É  Outono e Novembro chegou, com ele o morno dos abrigos, o cheiro das chaminés  que ao fim da tarde começam a encher o Céu  de um branco movediço no Céu cor de fogo.
É  Outono e a rosa teima. Teima em manter a beleza até  ao fim, teima em morrer lentamente para perlongar a esperança  da imortalidade.
....mas o seu fim está  para breve, a manta do aconchego não  existe para ela, apenas relento e frio cortante neste Outono de Novembro. 

Maria Pena 
@destacar 
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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Fica

Fica onde o silêncio  existe
Onde a Alma fala e o Céu  é mais azul
Fica onde o sabor é  mais doce...
Num café  de máquina simples
Numa torrada de pão  atrasado, mas com sabor a casa...
Fica no teu silêncio,  onde a essência  sobressai em gotas de mel selvagem e aromas de querer mais...
Fica....o silêncio  é o teu mundo e nessa imensidão  és  grande mesmo só.

Maria

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Assim sou eu

Cheguei a uma altura da vida, que o polimento não é comigo. Sou dona das minhas verdades, assumo as consequências e não permito que me julguem ou digam ' estás errada'. Não, não permito, porque a minha verdade não é a tua, nem és tu que assumes as minhas opiniões. 
Cheguei a uma altura da vida que só já Valorizo quem merece o meu respeito, quem me trata por igual e está presente em todos os momentos. 
Cheguei a uma idade na vida, que pouco me importam olhares inviezados e risos falsos... 
Gosto gente, gente genuína, de riso fácil, gargalhada assumida e café na mesa. Gosto de momentos com gente culta, mesmo não tendo estudos, gosto do toque da terra, da cor do Céu e das ondas do mar, gosto de pés descalços, aroma de flores e canto de pássaros. 
Gosto do genuíno sem telemóveis na mesa, sem redes no meio. Gosto de presença, crença e lembrança. Gosto de guardar recortes de jornais, anedotas e banho de sais. Gosto do simples, mas que é a imensidão do meu ser transformado em poesia, contos e prosas. Gosto de música, canto, fado e rosas.
Assim sou eu, nesta altura da minha vida.
É assim que quero deixar de mim lembranças 
É com gestos simples, temperos silvestres
Aroma de medronhos, cheia de Fé e esperanças. 

Maria C.Pena

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Aprendi...

Aprendi, que ir é  assustador, esperar é  sufocante e  a angústia é  constante.
Aprendi, que nós  não  controlamos nada
Nem nós trilhos nem na estrada.
Aprendi que viver é  uma aventura
Seja na doença  seja na cura.
Aprendi que a solidão  mata devaginho
E que tantas vezes a cura é  o carinho.
Aprendi que mexer na terra alivia
A dor que asfixia.
Aprendi que há  noites longas e silenciosa
Manhãs dolorosas.
Aprendi que pouco somos nesta vida
Quer seja alegre ou sofrida.
Aprendi  que muita gente pensa saber tudo
Mas o que verdadeiramente sabe é  mudo.
Aprendi a selecionar amizades
As que em silêncio sabem as minhas verdade.
Aprendi que o importante é  viver
Mesmo que seja preciso sofrer.

Maria C. Pena 
Direitos reservados
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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Tarde...tão tarde



Quando cheguei finalmente, e te encontrei
Numa noite fria com um mágico luar
Ouvi o som da tua voz, sem te conhecer
Num silêncio que embala o verbo escutar.

Encontrei-te, finalmente! Magia de encantar!
Percebi num minuto, o que iria acontecer:
Sobre a lua que ilumina
As estrelas apadrinham, este belo envolver!

Beijei os astros…Que loucura!
Numa procura em vão, velhos tormentos,
Pés descalços, olhos vendados
Em ramos de rosas, Sentimentos!

E há dezenas de anos eu era jovem!
E em desespero pergunto ainda:
Se eu fiz tudo para te encontrar
Porquê só agora, nesta vida finda?

Tarde…tão tarde!..
Finalmente encontrei-te…
Então choro amargamente
esta lágrima envolvente.

Por não te ter encontrado…
Velho castigo
E nesta busca teres estado sempre presente.
Inútil…Alegria feita de tormentos....abrigo

São como flores lançadas ao vento…
E a vida é uma busca constante 
tortura...
Para os poetas um alento ou sofrimento cortante...

Palavras: Maria C. Pena   

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Ser Mulher

Ser Mulher é  ser fio condutor
Ser Alma, ser Amor.
Ser Mulher é  ser Mãe, amada
Ser lágrima, espera desesperada. 
Ser Mulher é  ser muito mais
É  ser temporal, banho de sais.
Ser Mulher é  ser tempero
Ser calma no desespero.
Ser Mulher é  ser tudo é nada
Ser trilho, ser curva e  estrada.
Ser Mulher é  ser alimento
Ser do pão  o fermento.
Ser Mulher é  ser estrela cadente
Lua cheia para sempre.
Ser Mulher é  ser nascer do sol
Dos filhos farol.
Ser Mulher é  ser tudo para sempre
Num abraço  envolvente.

Outono

Em breve todos seremos
Outono e logo de seguida saudade
São  regras, lei desta nossa vida
Nada podemos fazer para mudar a realidade.

Rosas

Oferece me uma rosa
Singela, do teu canteiro
Que mostre a pureza do sentir
Que diga palavras de travesseiro.

- Mãe, mas não  são  todas iguais?
-Não. 

Há  mundos meus filhos
Sem roseiras de jardim
Sem rostos sorridentes, 
Sem cabelos penteados por mim.

Há  sítios, onde o sorriso das crianças não brilha
Onde as lágrimas se fazem mar
Há  vidas cheias de nada
Num mundo  de constante  esperar. 

Guarda o caderno que te dei
Faz dele o lugar mais perto do coração 
Recorda te sempre de mim
Lembra te sempre do toque da minha mão 

Perfuma as rosas do teu jardim
Faz delas a cor mais bela e perfumada 
Alimenta o seu desenvolver
Serás  sempre  a pessoa mais amada. 

Não  são  todas iguais
Afinal há  distinção 
Umas são  apenas rosas
Outras são  do coração. 

Maria C. Pena

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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Nuvens

Nuvens

Há dias em que o sol não nasce, porque a nevoa impede o seu brilho.
A Alma ofusca a vontade e a tristeza prevalece, num temporal de teimosias e mágoas insistentes.

 Quero paz… procuro em labirintos transversais o encanto, que a tal transmite.
 ...engano meu!
 ...ideia desfocada dum óbvio sem precedentes! 
Tento enganar-me, tento mudar um rumo que não é certo, tento seguir e esgueirar-me em bardos de roseiras bravas, fugir dos espinhos dolorosos, tentando apenas apanhar a bela pétala perdida de uma beleza sem comparação. 
Ai que idílica…! Ai que teimosa… !
Sei lá….. 
Sei apenas que o sol não nasce, as nuvens prevalecem e os sentimentos anoitecem.

Maria Clara Pena

wwwnosilenciodanoite.blogspot.com 
@destacar

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

..essa menina

Quem foi uma menina igual a esta
Quem teve o privilégio de ser toque e carícia
Terra nos pés descalços, sorriso no rosto
Alegria e correrias tudo sem malícia? 

Sol de cores quentes nas madrugadas Frias
Gelo como pêndulo nas árvores do quintal
Trabalho árduo sem reclamar
E nessa altura era tudo normal.

Crescemos com tão pouco
Aquecidas no bafo das cortes quentes
Subiamos e desciamos ladeiras
Cavalgava mos entre cangalhas sempre contentes.

Ouvíamos as cantorias do pessoal que chegava
Vinham em grupos das segadas
Cantavam e dançavam aos pares
Com afinação, passos certeiros, nem pareciam cansadas.

Eu fui uma destas meninas
Que viu matar o porco na matacina
Fiz sarrabulho, lavei tripas
Aprendi a fazer sabão , tradição genuína. 

Maria Clara Pena. 

(Direitos reservados)

Outono da Rosa

Neste Outono da vida, onde a rosa teima em sobreviver. Vai perdendo o brilho com o fresco da geada, vai perdendo o fulgor com as madrugadas ...