sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Aprendi...

Aprendi, que ir é  assustador, esperar é  sufocante e  a angústia é  constante.
Aprendi, que nós  não  controlamos nada
Nem nós trilhos nem na estrada.
Aprendi que viver é  uma aventura
Seja na doença  seja na cura.
Aprendi que a solidão  mata devaginho
E que tantas vezes a cura é  o carinho.
Aprendi que mexer na terra alivia
A dor que asfixia.
Aprendi que há  noites longas e silenciosa
Manhãs dolorosas.
Aprendi que pouco somos nesta vida
Quer seja alegre ou sofrida.
Aprendi  que muita gente pensa saber tudo
Mas o que verdadeiramente sabe é  mudo.
Aprendi a selecionar amizades
As que em silêncio sabem as minhas verdade.
Aprendi que o importante é  viver
Mesmo que seja preciso sofrer.

Maria C. Pena 
Direitos reservados
wwwnosilenciodanoite.blogspot.com

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Tarde...tão tarde



Quando cheguei finalmente, e te encontrei
Numa noite fria com um mágico luar
Ouvi o som da tua voz, sem te conhecer
Num silêncio que embala o verbo escutar.

Encontrei-te, finalmente! Magia de encantar!
Percebi num minuto, o que iria acontecer:
Sobre a lua que ilumina
As estrelas apadrinham, este belo envolver!

Beijei os astros…Que loucura!
Numa procura em vão, velhos tormentos,
Pés descalços, olhos vendados
Em ramos de rosas, Sentimentos!

E há dezenas de anos eu era jovem!
E em desespero pergunto ainda:
Se eu fiz tudo para te encontrar
Porquê só agora, nesta vida finda?

Tarde…tão tarde!..
Finalmente encontrei-te…
Então choro amargamente
esta lágrima envolvente.

Por não te ter encontrado…
Velho castigo
E nesta busca teres estado sempre presente.
Inútil…Alegria feita de tormentos....abrigo

São como flores lançadas ao vento…
E a vida é uma busca constante 
tortura...
Para os poetas um alento ou sofrimento cortante...

Palavras: Maria C. Pena   

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Ser Mulher

Ser Mulher é  ser fio condutor
Ser Alma, ser Amor.
Ser Mulher é  ser Mãe, amada
Ser lágrima, espera desesperada. 
Ser Mulher é  ser muito mais
É  ser temporal, banho de sais.
Ser Mulher é  ser tempero
Ser calma no desespero.
Ser Mulher é  ser tudo é nada
Ser trilho, ser curva e  estrada.
Ser Mulher é  ser alimento
Ser do pão  o fermento.
Ser Mulher é  ser estrela cadente
Lua cheia para sempre.
Ser Mulher é  ser nascer do sol
Dos filhos farol.
Ser Mulher é  ser tudo para sempre
Num abraço  envolvente.

Outono

Em breve todos seremos
Outono e logo de seguida saudade
São  regras, lei desta nossa vida
Nada podemos fazer para mudar a realidade.

Rosas

Oferece me uma rosa
Singela, do teu canteiro
Que mostre a pureza do sentir
Que diga palavras de travesseiro.

- Mãe, mas não  são  todas iguais?
-Não. 

Há  mundos meus filhos
Sem roseiras de jardim
Sem rostos sorridentes, 
Sem cabelos penteados por mim.

Há  sítios, onde o sorriso das crianças não brilha
Onde as lágrimas se fazem mar
Há  vidas cheias de nada
Num mundo  de constante  esperar. 

Guarda o caderno que te dei
Faz dele o lugar mais perto do coração 
Recorda te sempre de mim
Lembra te sempre do toque da minha mão 

Perfuma as rosas do teu jardim
Faz delas a cor mais bela e perfumada 
Alimenta o seu desenvolver
Serás  sempre  a pessoa mais amada. 

Não  são  todas iguais
Afinal há  distinção 
Umas são  apenas rosas
Outras são  do coração. 

Maria C. Pena

wwwnosilenciodanoite.blogspot.com

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Nuvens

Nuvens

Há dias em que o sol não nasce, porque a nevoa impede o seu brilho.
A Alma ofusca a vontade e a tristeza prevalece, num temporal de teimosias e mágoas insistentes.

 Quero paz… procuro em labirintos transversais o encanto, que a tal transmite.
 ...engano meu!
 ...ideia desfocada dum óbvio sem precedentes! 
Tento enganar-me, tento mudar um rumo que não é certo, tento seguir e esgueirar-me em bardos de roseiras bravas, fugir dos espinhos dolorosos, tentando apenas apanhar a bela pétala perdida de uma beleza sem comparação. 
Ai que idílica…! Ai que teimosa… !
Sei lá….. 
Sei apenas que o sol não nasce, as nuvens prevalecem e os sentimentos anoitecem.

Maria Clara Pena

wwwnosilenciodanoite.blogspot.com 
@destacar

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

..essa menina

Quem foi uma menina igual a esta
Quem teve o privilégio de ser toque e carícia
Terra nos pés descalços, sorriso no rosto
Alegria e correrias tudo sem malícia? 

Sol de cores quentes nas madrugadas Frias
Gelo como pêndulo nas árvores do quintal
Trabalho árduo sem reclamar
E nessa altura era tudo normal.

Crescemos com tão pouco
Aquecidas no bafo das cortes quentes
Subiamos e desciamos ladeiras
Cavalgava mos entre cangalhas sempre contentes.

Ouvíamos as cantorias do pessoal que chegava
Vinham em grupos das segadas
Cantavam e dançavam aos pares
Com afinação, passos certeiros, nem pareciam cansadas.

Eu fui uma destas meninas
Que viu matar o porco na matacina
Fiz sarrabulho, lavei tripas
Aprendi a fazer sabão , tradição genuína. 

Maria Clara Pena. 

(Direitos reservados)

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Outono

Há  dias bons, há  dias menos bons.
O Outono tem destas coisas, as folhas caiem, as madrugadas arrefecem, as dores aumentam, as dúvidas prevalecem.
O frio entranha se, deixa te sem respostas, as angústias que suportas  são  apenas amostras.
Vai e vem a dúvida de quem vive, nestas cores de fogo, o mundo gira e segue, na vida de alguns nada de novo.
Há  dias bons,  dias maus e não  sabes explicar, não  consegues decidir se ir se ficar.

sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Tu primeiro

Uma pessoa sem passado é  uma pessoa sem vida. Quando alguém nos tenta fazer esquecer o que vivemos, nos massacra, nos inferniza  e de uma forma ou outra tenta impor limites, essa pessoa não  gosta de nós.  O pretexto do ciúme é  apenas a capota para camoflar a sua imposição.  Quando alguém gosta de nós, gosta por inteiro. Gosta dos nosso passado, do nosso presente e respeita o nosso futuro. O primeiro passo para o desamor é  a piada, azedume e disfarce, sempre que falas no passado, nas pessoas que foram tijolos de uma mesma estrada. A estrada de betão  que te levou até  aqui. 

Não  exijam menos, não  seja folhas esvoaçantes de árvores caídas num qualquer terreno árido.  Seja semente em terra fértil, sejam memórias todas escritas com tinta da mesma cor. A cor da tua eleição, a cor que te levou a ser quem és, um ser humano único.  Um ser humano ser precisar de ponto no palco da tua vida. 
Escreve com tinta da mesma cor, guarda o nome e o mau. Do mau tira ensinamentos, do bom alimenta te. Não deixes rasgar as folhas, muito menos os rascunhos.  Não deixes o desamor tomar conta de ti e vira-te sem nunca perderes o norte, sem nunca deixares de alimentar a tua essência, a verdadeira, a única.  Guarda o teu passado. Vive o presente e sonha com o futuro. 
Só  temos uma vida,  o importante  é  o hoje sem esquecer  o passado com olhos no melhor, para que possa existir um para sempre.
 Para sempre, tu contigo, para sempre, um  tom de cor mesclado que fica registado no zumbir do vento norte e na tela do por do sol.
Leva contigo a mala, mas deixa para trás  o que te faz mal. 

terça-feira, 13 de outubro de 2026

O nosso Rio

O Tejo, o Mondego ou o Douro não são mais bonitos que o nosso Massieime 
Podem ser grandes, poder ser ricos
Mas não têm a riqueza do nosso sentir
Não foram olhos e lágrimas do nosso evoluir.
O Rio da nossa aldeia deu de comer ao pobre
De beber a rebanhos sequiosos
Foi leito de aventuras 
De jovens belos e formosos.
É pequenino o Rio
Mas grande nas nossas memórias 
É rico de vivências 
Conta muitas histórias. 
Fez moer moinhos
Do azeite ao cereal
Alimentava peixinhos
Enchia a cada temporal.
Tem uma ponte Romana o nosso Rio
Está velha e em ruínas, é pesaroso
É a fronteira de dois concelhos 
Pinhel e Trancoso.
Por ela atravessaram peregrinos
Iam a caminho de Santiago 
Hoje perdeu se o trilho
Em dia de chuva ou ensolarado.
O nosso Rio é lindo
Mais bonito que outro qualquer
Só temos que o valorizar
Só não acontece porque o homem não quer.

Aprendi...

Aprendi, que ir é  assustador, esperar é  sufocante e  a angústia é  constante. Aprendi, que nós  não  controlamos nada Nem nós trilhos nem ...